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  • quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

    SAÚDE » Base inicia seleção para servidores

    Médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem serão os primeiros profissionais contratados no novo modelo de administração da unidade -Amanhã, serão conhecidas as regras para o primeiro processo seletivo do Instituto Hospital de Base. Previsão é de que 708 profissionais assumam os postos a partir de 26 de março

    *Por Otávio Augusto

    OInstituto Hospital de Base (IHBDF) divulga amanhã as regras do primeiro processo seletivo para a contratação de 708 profissionais. As provas devem ser aplicadas em 25 de fevereiro. Os aprovados assumem os postos de trabalho a partir de 26 de março. Para médicos, os salários variam entre R$ 13 mil e R$ 16 mil, abaixo dos valores pagos pela Secretaria de Saúde.

    Após a reforma administrativa, os funcionários passaram a ser admitidos com base no regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), ou seja, não serão concursados. Os primeiros contratados ocuparão vagas de médicos — nas áreas de anestesia, cirurgia de trauma, emergência, clínica médica e nefrologia —, enfermeiros e técnicos em enfermagem. O processo seletivo será organizado pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe). A escolha será feita em duas etapas: prova geral e técnica. A lista dos aprovados será publicada em 22 de março.

    O diretor presidente do IHBDF, Ismael Alexandrino,  explica que os novos servidores serão distribuídos com o foco em quatro ações. “A nossa intenção é a diminuição de horas extras, o fortalecimento do pronto-socorro, o aumento do número de cirurgias e a abertura de leitos”, detalha. Atualmente, 117 leitos, entre vagas de unidade de terapia intensiva (UTI) e enfermaria, estão bloqueados.

    Parte dos contratados substituirão os 501 servidores públicos que pediram para serem transferidos para outras unidades quando o IHBDF passou a funcionar, na última sexta-feira. Dos 3,2 mil funcionários, 2,7 mil optaram por permanecer na maior unidade de saúde da capital federal. O hospital funcionará com orçamento semelhante ao de 2016: R$ 602 milhões.

    A nossa intenção é a diminuição de horas-extras, o fortalecimento do pronto-socorro, o aumento do número de cirurgias e a abertura de leitos  - (Ismael Alexandrino, diretor presidente do IHBDF)
    Mais contratações
    Antes mesmo de concluir o primeiro processo seletivo, adianta Ismael Alexandrino, a direção do IHBDF trabalha no planejamento de outra seleção. Dessa vez, serão contratados fisioterapeutas, nutricionistas e técnicos da área administrativa. Os números e as datas do próximo processo ainda não foram definidos. A expectativa é que saia no fim do primeiro semestre. Nesse caso, podem haver outros requisitos para a contratação. “Estamos avaliando a necessidade de análise de currículos e de entrevistas, aliada ao resultado das provas”, avalia. Isso seria para contratar melhores profissionais e para áreas específicas. A unidade apura o deficit de profissionais.

    A precariedade da estrutura de tecnologia da informação do IHBDF preocupa Ismael. Terão de ser criadas estruturas de compra e planejamento, serviços antes concentrados pela Secretaria de Saúde. A unidade não conta com plataformas para geração de dados, como custos, volume em estoques etc.

    A reforma administrativa que criou o Instituto Hospital de Base não modifica as regras de assistência aos pacientes. As políticas públicas continuam sendo definidas pela Secretaria de Saúde e pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Base segue público e gratuito. A unidade é referência nas áreas de trauma, cardiologia, oncologia e neurocirurgia. A Secretaria de Saúde criou o IHBDF com o objetivo de dar mais eficiência e qualidade, com otimização dos custos e dos processos de compra de insumos e contratação de serviços e profissionais. Em média, o hospital terá de aumentar os atendimentos em 20%.


    (*) Otávio Agusto – Fotos: Minervino Junior/CB/D.A.Press - - Correio Braziliense

    quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

    CONSERVAÇÃO » Ponte JK será revitalizada

    O teste durou duas horas e interrompeu um sentido na via suspensa - Novacap faz teste de alta pressão com água bruta, imprópria para o consumo humano, no dia em que Brasília completa um ano de racionamento. Limpeza definitiva está marcada para começar em 9 de fevereiro, com término no carnaval

    *Por Mayara Subtil 

    Sem limpeza desde 2014, a Ponte Juscelino Kubitschek, um dos principais cartões-postais da capital, chama a atenção também pela sujeira. Turistas e moradores se queixam da cor marrom que cobriu o branco dos arcos e das calçadas do monumento. Para mudar o cenário, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) testou, ontem de manhã, técnicas de revitalização sem produtos químicos e com pouca água.

    Após o teste, que durou pouco mais de duas horas e interrompeu o trânsito, o presidente da Novacap, Júlio Menegotto, afirmou que a forma mais eficaz e econômica é com o uso de “água bruta” – por não ser tratada, é imprópria para consumo. “Usamos dessa água apenas para irrigação. Não traz danos, nem faz falta para a população”, ressaltou.

    A limpeza completa começa em 9 de fevereiro e deve termina em quatro dias, no carnaval. Não há estimativa de quantos litros de água serão gastos. Além da lavagem, o processo licitatório para manutenção permanente da ponte está em andamento. Pequenas obras estão previstas para começar em julho de 2018. A promessa é fazer uma lavagem geral ao menos uma vez ao ano. Também conhecida como Terceira Ponte, a Ponte JK foi inaugurada em 2002 e é uma das principais vias que liga o Plano Piloto ao Lago Sul, São Sebastião e condomínios da região.

    Os 10 funcionários mobilizados usaram mil litros de água no teste, ontem. Eles limparam pequenos pedaços da parte de baixo, das muretas e de um dos três arcos da ponte. O cuidado para evitar o uso de produtos químicos se deve ao fato de que a água do Lago Paranoá agora abastece imóveis do DF, desde outubro, em uma das ações do governo para garantir a distribuição de água no período de racionamento, que completou um ano ontem.

    Sem previsão
    Em 16 de janeiro de 2017, moradores de Ceilândia, do Riacho Fundo 2 e Recanto das Emas inauguraram o cotidiano de cortes. Incorporado à rotina, o governo não tem prazo para acabar com o racionamento. O motivo é manter o volume dos reservatórios em níveis aceitáveis até a próxima seca.

    Os primeiros atingidos pelo corte no abastecimento foram as cidades abastecidas pelo Rio Descoberto – cerca de 1,8 milhão de habitantes. A opção de limitar o racionamento a quem mora nas regiões atendidas pelo Descoberto causou revolta. Alguns reclamaram que o rodízio atingia só a parcela mais pobre da população. Locais onde o consumo era mais alto, como Plano Piloto, Lago Sul e Lago Norte, ficaram de fora por serem abastecidos pelo Sistema Santa Maria/Torto.

    Diante da polêmica, o Ministério Público sugeriu a inclusão de todo o DF no plano de racionamento. Quarenta dias depois, a Caesb anunciou o rodízio nas cidades abastecidas pelo Santa Maria/Torto e quase 3 milhões de pessoas incorporaram a rotina de cortes. O Descoberto chegou a ficar com sós 5% de volume. Mesmo com as chuvas, o índice ainda está a menos de 40%.


    (*)  Mayara Subtil  – Fotos: Breno Fortes/CB/D.A.Press – Mayara Subtil – Correio Braziliense

    segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

    Paulo Fona: "Fake news terão presença negativa muito grande nas eleições"

    Secretário de Comunicação do DF foi o entrevistado do CB.Poder desta segunda-feira. No programa, ele também falou sobre os desafios que Rollemberg deve enfrentar em 2018
    Em entrevista ao programa CB.Poder — uma parceria do Correio com a TV Brasília —, o secretário de Comunicação do Distrito Federal, Paulo Fona, avaliou que as fake news terão "uma presença negativa muito grande na campanha eleitoral" deste ano e que são "um problema grave que todos os candidatos terão que enfrentar".
    "É ruim, porque a gente perde a oportunidade de, via redes sociais, fazer uma discussão política. É importante que tenha esse instrumento, mas que ele seja usado corretamente, para propagar ideias. Não infâmias e mentiras", disse o secretário.

    Ainda segundo Fona, além das eleições, as notícias falsas disseminadas pelas redes sociais também têm impacto negativo no dia a dia do governo. "É enorme a quantidade de fake news que aparecem todos os dias. Algumas, talvez por que interessem muita gente, crescem muito rapidamente", pontuou.

    Na entrevista, o secretário também descartou a possibilidade de ser candidato nas eleições de outubro, comentou os desafios que ele e o governador devem enfrentar neste ano e elencou as obras no sistema hídrico, a universalização do ensino e a "arrumação da casa", como os legados que Rodrigo Rollemberg deixará ao fim de quatro anos de gestão.

    Confira a entrevista :


    Recuperação e nascimento de espaços culturais

    Recuperação e nascimento de espaços culturais - As aulas no Centro de Dança, suspensas em 2013, voltam após o carnaval - Locais abandonados por anos no Plano Piloto começam a ser reabertos para a população e os artistas. Enquanto isso, ganham força nas demais regiões administrativas movimentos que, de forma independente, buscam a revitalização de outros lugares antes esquecidos

    *Por Sarah Peres

    Museu de Arte de Brasília deve reabrir em outubro, após mais de 10 anos fechado
    Obras do Espaço Cultural Renato Russo, fechado em 2013, devem terminar em março
    Dos 271 pontos culturais distribuídos pela área central e nas regiões administrativas do Distrito Federal, 17 são administrados pela Secretaria de Cultura. Cinco deles estão fechados e vivem uma saga digna de filme. Com as portas trancadas para o público, os alunos e os artistas, o vazio assola as construções ao longo dos anos. Mas o anúncio dos trabalhos de revitalização e ampliação dos locais trouxe esperança para essa história, que também  contada nas ruas de diversas cidades da capital  federal, por meio de iniciativas independentes do poder público.

    A lista de monumentos abandonados que começam a ser devolvidos à população após renovações conta com o Museu de Arte de Brasília (MAB), desativado em 2007; o Teatro Nacional Claudio Santoro, lacrado para visitação em 2014; o Polo de Cinema e Vídeo Grande Otelo, fechado desde 2014; além do Centro de Dança, no Setor de Autarquias Norte, e do Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, com atividades suspensas desde 2013.

    A expectativa era reabrir esses dois últimos locais no segundo semestre de 2017, mas as reformas atrasaram. Agora, a Secretaria de Cultura planeja inaugurar os espaços renovados em janeiro e março, respectivamente. As aulas do Centro de Dança devem voltar após o carnaval. Lá, as obras custaram mais de R$ 3 milhões. Embora a fachada esteja pronta, uma das portas de entrada está sem vidro e escorada somente por um pedaço de madeira. A parte interna continua vazia.

    No Espaço Renato Russo, o valor gasto ultrapassou R$ 4,9 milhões. Os escombros da reforma ainda estão acumulados em um dos cantos internos, que ganhou nova estrutura no teto. Na área externa, permanecem as rachaduras e as cores dos grafites nas paredes perderam a força.

    A ampliação e revitalização estrutural do MAB foi iniciada  em setembro do ano passado, com orçamento de quase R$ 7,7 milhões. A previsão de entrega é 13 de outubro.  O trabalho dos pedreiros começa a dar uma nova cara ao museu, abandonado por 10 anos. Ali, os únicos sons são os da betoneira, da furadeira e das conversas entre os trabalhadores. O antigo acervo incluía obras de Tarsila do Amaral e Iberê Camargo, transferidas para o Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios.

    O Polo de Cinema e Vídeo Grande Otelo será substituído pelo Parque Audiovisual, segundo a Secretaria de Cultura. Não há previsão para o início das obras, mas o espaço será construído no Trecho 3 do Setor de Clubes Esportivos Sul. A reabertura do Teatro Nacional ocorre em partes. O Foyer da Sala Villa-Lobos foi reaberto ao público em 7 de dezembro, e a primeira fase da reforma, na Sala Martins Penna, ainda não começou.

    A cidade vive
    Enquanto pontos culturais no Plano Piloto são revitalizados para se destacarem em meio ao concreto, comunidades locais se encarregam da tarefa de manter a cultura viva no DF. Com esforço próprio, elas enchem cada região de cores, de arte e de transformação social. Espaços abandonados, antes temidos pelos moradores, agora são um chamado à participação e ao engajamento da comunidade, que encontra atividades gratuitas e produtos e serviços oferecidos por pequenos empreendedores locais, em um ciclo virtuoso que amplia as opções de cada região. Confira a seguir as histórias de alguns desses projetos.

    "Somos vários grupos reunidos para trazer vida à praça, que foi esquecida pelos moradores”

    Tetê Alcândida, artista popular moradora do Sol Nascente
    Os nossos trabalhos são abertos a todos, quem quiser apenas aprender, é só vir também”

    Beco da Cultura
    Um dos primeiros centros comerciais de Brasília, construído em 1950, o Mercado Sul, localizado na QSB 12/13, em Taguatinga Sul, começou a se destacar na cena cultural a partir de 1980. 

    Com os artesãos, floresceu o desejo por um espaço que respirasse cultura. Em 2015, artistas ocuparam as lojas abandonadas no local, expandindo a atuação dos coletivos. A partir daí, o movimento ficoua conhecido como Mercado Sul Vive, conforme explica a produtora cultural Dani Rueda, 33, (foto) moradora de Taguatinga Sul. “Um dos espaços ocupados estava vazio há 17 anos. Temos um processo judicial, mas nos foi permitido continuar no local até o julgamento, que determinará 
    se ficamos com as lojas ou não”, afirma.

    No total, são quatro lojas ocupadas. Uma é chamada de Casa Multiuso, que passa por reforma. A Casa de Ofício agrega a loja do Bicicentro, de aluguel, oficinas e montagem de bicicletas; a costuraria; a Ecoloja, de economia solidária e com materiais biodegradáveis; e o Becomposto, de agricultura urbana. 

    Em 10 de fevereiro, a partir das 15h, a tradicional Ecofeira terá a primeira edição de 2018, com apresentações culturais, feira artesanal e comidas. 

    União cultural
    o Localizada em Taguatinga Norte, a ocupação dpBatalhão das Artes cresce em meio à praça abandonada da Associação Comercial e Industrial de Taguatinga (Acit). Em julho de 2017, o antigo posto da Polícia Militar recebeu coletivos de todo o DF, que viram no espaço uma possibilidade de fomento à cultura. 

    A artista popular Tetê Alcândida, 58, (foto) moradora do Sol Nascente, explica o objetivo dos trabalhos. “A proposta é que façamos atividades de utilidade pública. Por isso, somos vários grupos reunidos em prol de ações culturais e opções de lazer para trazer vida à praça, que foi esquecida pelos moradores”, relata. A ocupação colaborativa conta com mais de 13 coletivos.

    Em fevereiro, o espaço oferecerá oficinas e feiras de artesanatos nas segundas e terças-feiras, em horário comercial. As coloridas paredes, grafitadas pelo grupo Mulheres Grafiteiras, substituíram a paisagem monocromática. O local ganhou ainda um canteiro de horta urbana, com árvores frutíferas que dão abacate e maracujá. “Queremos realizar uma casa de farinha no quintal e plantar árvores pela praça. Também estamos recebendo doações de livros, geladeiras velhas e estantes, para montarmos bibliotecas abertas nas redondezas”, afirma Tetê.

    Transformação pela capoeira
    Tambor, pandeiro e berimbau ditam o ritmo das palmas e dos cantos em iorubá — língua oriunda das religiões de matriz afro-brasileira, como o Candomblé — que ecoam no beco na QNP 1/5 do setor P Norte, em Ceilândia. Enquanto isso, os corpos dançam equilibrados, em um jogo de capoeira na área externa do Espaço Cultural Filhos do Quilombo, criado em meados de 2010. “Como o lugar ficou vazio, a área ficou degradada e moradores temiam passar aqui, por ter se tornado um local de assalto e tráfico”, aponta o agente cultural e líder comunitário Thiago Dutra da Silva, 27, 

    o Lagartixa (à frente na foto). Agora, o objetivo é ampliar o espaço com um teatro de arena feito de pneus e cimento, uma casa de farinha no quintal, a construção da praça Quilombo, além de uma sala de computação, tudo para atender a comunidade.

    O Quilombo se tornou referência para Matheus Damascena, 21, professor de capoeira e participante do projeto. “A capoeira mudou minha vida completamente. Eu comecei bem novo e vi que não compensa ficar na rua, a esmo. Hoje, a capoeira não é apenas identificação cultural, mas a minha profissão”, ressalta. Com o tempo, o projeto se expandiu para outras áreas de Ceilândia. Além do espaço cultural, quadras poliesportivas, escolas e espaços de cultura como o Menino de Ceilândia recebem as aulas de capoeira.

    Música e oficinas - Alex Martins Silva, coordenador do Espaço Cultural Moinho de Vento e do Família Hip-Hop
    Em um descampado da EQ 304/307, atrás de uma escola pública, em Santa Maria Sul, um galpão se destaca. O espaço, ocupado em agosto de 2011 pelo coletivo Família Hip-Hop, oferece serviços gratuitos aos moradores. Ocupado, pertencia à antiga Associação da Criança e do Adolescente (Acac), desativada em 2006. A ocupação começou com o encontro Mutirão Hip-Hop, conforme explica Alex Martins Silva, 43 anos, (foto) coordenador do Espaço Cultural Moinho de Vento e do Família Hip-Hop. “Realizamos uma limpeza completa no espaço, jogando fora os materiais que tinham apodrecido com o tempo. Depois, colocamos telhas e arrumamos tudo. Fizemos grafites nas paredes, enquanto rolava muito break e rap”, relembra.

    O coletivo mantém um estúdio de produção musical, que passará por uma reforma estrutural, a fim de melhorar o espaço. Ainda há oficinas de dança, de teatro e de serigrafia. Tudo de graça. “As pessoas que agora compõem o coletivo são mais jovens, que fizeram aulas conosco e quiseram fortalecer o movimento. Mas os nossos trabalhos são abertos a todos, quem quiser apenas aprender, é só vir também”, convida Alex.


    (*) Sarah Peres – Fotos: Antonio Cunha/CB/D.A.Press – Ed Alves/CB/D.A.Press – Barbara Cabral/CB/D.A.Press – Correio Braziliense

    domingo, 14 de janeiro de 2018

    MOBILIDADE » Afinal, vale a pena ter carro em Brasília?

    Congestionamento na Estrada Parque Taguatinga: frota de 1,7 milhão obriga a cidade a criar alternativas de mobilidade, como ciclovias, metrô e transporte público

    *Por Augusto Fernandes - Bruno Lima

    Em 2017, mais de 60 mil veículos foram vendidos no Distrito Federal. Mesmo com o custo de manutenção e o alto preço do combustível, a população busca conforto e comodidade em uma cidade limitada em transporte público e ciclovias

    Cerca de 1,4 milhão de automóveis circulam diariamente pelas vias do Distrito Federal. No ano passado, a frota da capital — somados carros, caminhões e motocicletas — alcançou a marca de 1,7 milhão de veículos, média de um para cada dois habitantes. Essa quantidade colabora para problemas de mobilidade. O tráfego intenso resulta em retenções e congestionamentos nos horários de pico. Além disso, a utilização de um transporte próprio acarreta gastos com combustível, manutenção e documentação. Diante disso, fica a dúvida: vale a pena ter carro em Brasília?

    Na prática, o brasiliense parece não estar disposto a abrir mão do veículo para usar outros meios de locomoção. De acordo com o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do DF (Sincodiv-DF), o número de emplacamentos em 2018 deve aumentar 10%, em relação a 2017. No ano passado 66 mil automóveis foram comercializados. “A previsão é de que, neste ano, nós alcancemos pelo menos dois dígitos de crescimento nas vendas de carros e algo em torno de 5% de motocicletas. De forma geral, o ano passado apresentou uma melhora de 6% em relação a 2016. Nós estamos em uma constante de alta, e isso nos leva a crer, ao lado da recuperação da economia, que as vendas voltem a alcançar o patamar de 10 anos atrás”, opina a diretora administrativa do Sincodiv-DF, Magali Giocondo.

    Segurança
    Aspectos como comodidade e agilidade pesam na hora de o brasiliense escolher entre o veículo próprio e o transporte público. É assim com o assistente administrativo Lucas Nickson, 22 anos. “Desde que comprei o meu carro, sempre o uso para me locomover. É muito raro eu optar por metrô ou ônibus. O veículo está à minha disposição na hora em que eu precisar, enquanto, com o transporte público, teria de esperar um bom tempo”, justifica. Ele gasta, em média, R$ 500 por mês pelo conforto. “Usar carro ajuda a melhorar a minha qualidade de vida. O tempo que eu perderia dentro de um coletivo,posso aproveitar em outras atividades”, explica.

    A falta de pontualidade dos coletivos fizeram com que Luís Filipe Barreto, 22, deixasse de utilizar o serviço. “Eu sempre andei de ônibus e gostaria de continuar usando, mas, devido a essa questão de horários, eu dou preferência para o meu carro. É muito ruim ficar esperando por um ônibus que eu nem tenho a certeza de que vai passar”, comenta. O tecnólogo em gestão pública diz que a segurança também é levada em conta. “Não que eu esteja completamente a salvo, mas é cada vez mais comum o número de assaltos no transporte público”, conta.

    De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social, em 2017 foram 2.681 roubos em transportes coletivos no Distrito Federal. O número é o segundo maior em comparação aos últimos quatro anos. Em 2016, ocorreram 3.130 crimes, contra 2.397 em 2015, e 2.254 em 2014.

    No caso do comerciante Alisson Melo, 21, ter um automóvel é questão de necessidade. No início do ano, ele comprou um veículo para usá-lo no trabalho. “Antes, eu precisava andar com as minhas mercadorias (guarda-chuvas) nos ônibus e no metrô e sofria preconceito. Incomodava, porque eu ficava esbarrando nas pessoas. Agora, com o carro, eu posso me organizar melhor”, comemora. Ele não pensa em voltar a utilizar os transportes coletivos. “Eu continuaria a ter os mesmos problemas. Sem contar que não preciso mais esperar pelos horários dos ônibus ou do metrô. É mais confortável, porque eu tenho um espaço maior. Quando dependia do transporte público, eu ficava em pé ou sentava em cima das mercadorias”, acrescenta.

    Medidas
    Apesar do conforto que um carro pode oferecer, especialistas apontam que esse meio de transporte dificulta o trânsito na cidade. De acordo com o professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Brasília (UnB), Paulo César Marques, o veículo auxilia de forma individual. “Você pode ir para qualquer lugar, a qualquer hora e sem precisar de ninguém. Mas ele não é uma solução para a mobilidade urbana. O espaço que um ônibus com 40 passageiros ocupa é o mesmo de três carros com apenas uma pessoa dentro”, ressalta.

    Para Paulo César, muitas pessoas escolhem o carro pelas condições do transporte coletivo de Brasília. “É preciso mais investimento para o transporte público de forma a tornar esse serviço atrativo para a população. Porém, esse serviço não recebe a atenção devida, e as pessoas buscam formas de sair do sistema. Muitos decidem adquirir um automóvel”, avalia.

    O secretário de Mobilidade do Governo do Distrito Federal, Fábio Ney Damasceno, destaca que o DF tem uma das maiores frotas do Brasil e a forma como Brasília foi planejada prioriza o uso de automóveis. “As características da cidade são voltadas para se locomover de carro. As avenidas são largas, e as pessoas precisam percorrer longas distâncias”, explica. Segundo ele, a implementação do bilhete único, o sistema de bicicletas compartilhadas, a regularização de aplicativos de transporte particular e a integração entre ônibus e metrô são medidas que incentivam a reduzção do uso do carro. No primeiro semestre do ano, será disponibilizado aos passageiros um sistema para acompanhar os ônibus via GPS para saber o horário exato em que ele passará pelos pontos. “Nós estamos promovendo um conjunto de ações para que a população do DF decida o que é melhor. As pessoas precisam refletir sobre alguns pontos, como conforto, rapidez e economia, para decidir qual transporte utilizar”, diz Fábio.



    (*)Augusto Fernandes - Bruno Lima – (Especiais para o Correio) – Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press – Correio Braziliense

    METRÔ » Novos projetos até 2019

    Hoje o sistema conta com 24 estações e deve chegar a 27 até o fim do ano, com a inauguração de outras três

    *Por Ana Viriato

    Propostas para expansão da linha de Ceilândia e construção da primeira estação na Asa Norte estão sob análise pelo Ministério das Cidades, que liberou R$ 275,5 milhões para trecho de Samambaia

    Após garantir o recebimento de R$ 275,5 milhões do Ministério das Cidades para a expansão do metrô em Samambaia, o Palácio do Buriti aguarda o sinal verde do órgão federal para outros dois projetos: a ampliação em 3,2 km da via dos trens em Ceilândia e a construção da primeira estação da Asa Norte. Pelas estimativas do Executivo local, as obras custariam R$ 354,4 milhões aos cofres da União e R$ 51,4 milhões aos caixas do GDF, totalizando R$ 405,8 milhões. A promessa do aumento da cobertura do transporte sobre trilhos perdura desde meados de 2009, quando o Distrito Federal foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade.

    O GDF entregou as duas propostas ao Ministério das Cidades em junho de 2015, junto ao projeto relativo à expansão do sistema em Samambaia. Em Ceilândia, estima-se a construção de duas estações para garantir o alcance aos moradores do Setor O. A linha da Asa Norte, por sua vez, ficará próxima ao hospital regional da cidade. O governo espera receber uma resposta sobre as proposições até o próximo ano. No meio tempo, técnicos trabalham no planejamento de outras oito estações, entre a SQN 103 e o Terminal da Asa Norte. 

    De forma paralela, o GDF pretende finalizar, entre junho e agosto, as obras nas estações inoperantes da 106 e 110 Sul, além da Estrada Parque, entre Taguatinga e Águas Claras. O governo, contudo, não prevê recursos para colocar em funcionamento as paradas da 104 Sul e Onoyama, situada entre as estações Praça do Relógio e Centro Metropolitano, conforme previsto no plano de governo, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — o Executivo local pretende pleitear o valor necessário para essas reformas com a União e bancos.

    Diretor-presidente da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô/DF), Marcelo Dourado afirma que o governo investirá cerca de R$ 38 milhões na conclusão das obras previstas. “O GDF conseguiu um aporte de recursos do Banco do Brasil e estamos na fase final do processo licitatório. Apenas com a finalização da estação Estrada Parque, beneficiaremos estudantes de cinco a seis universidades”, garantiu. 

    Samambaia 
    A previsão é que as obras da expansão do transporte sobre trilhos de Samambaia comece em novembro. O projeto completo, que inclui a modernização do sistema, prevê investimentos de cerca de R$ 315 milhões — R$ 275 milhões provenientes do orçamento-geral da União e R$ 40 milhões do GDF. O valor, contudo, pode cair, a depender do resultado do processo licitatório, cuja previsão de lançamento é junho.

    As obras devem durar cerca de três anos e os recursos serão liberados pelo governo federal conforme os avanços da construção. Hoje, Samambaia conta com três outras estações: Furnas, Samambaia Sul e Terminal. As novas paradas serão construídas nas quadras 111, próximo à Feira Livre, e 117, ao lado da Vila Olímpica Rei Pelé. Dourado estima que 30% da população da cidade seja beneficiada com a expansão. “Serão cerca de 78 mil pessoas afetadas direta ou indiretamente”, ressaltou. 

    Especialista em políticas públicas de transportes e pesquisador da Universidade de Brasília (UNB), Artur Morais vê o investimento com bons olhos. De acordo com o professor, além de melhorar as condições de acesso da população ao sistema, a iniciativa vai incrementar a valorização do imóvel na região. “A média de aumento no valor de unidades residenciais ou comerciais é de 15%. Outro ponto positivo é que as pessoas que trabalham fora e precisavam pegar um ônibus e, depois o metrô, economizarão tempo e dinheiro”, frisou.

    Estudo da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) aponta que grande parte dos moradores de Samambaia tem empregos fora da região administrativa. Entre os habitantes, 29,59% trabalham no Plano Piloto; 9,23% em Taguatinga e 8,20% e outras localidades. A estimativa, portanto, é que o aumento do alcance das linhas de metrô, desafogue a demanda dos ônibus, por exemplo, que levam 46,86% residentes da cidade ao trabalho. 

    Mais recursos
    O orçamento do Metrô para este ano, que ficou em torno de R$ 416 de milhões, pode crescer. No projeto de lei encaminhado à Câmara Legislativa que detalha o uso do R$ 1,4 bilhão economizado com a reforma da previdência e incrementado com o recebimento de precatórios, consta a destinação de R$ 18,4 milhões ao órgão. O valor será usado na reforma de estações. A de Arniqueiras, em Águas Claras, passará por melhorias na acessibilidade. 

    Projetos - Confira os detalhes das propostas do GDF:

    Expansão do metrô em Samambaia
    Valor: R$ 315 milhões
    Número de estações: duas
    Alcance: 3,6 km

    Expansão do metrô em Ceilândia
    Valor: R$ 239 milhões
    Número de estações: duas
    Alcance: 3,2 km

    Estação da Asa Norte
    Valor: R$ 166,5 milhões
    Número de Estações: uma
    Alcance: 1km 


    (*) Ana Viriato – Correio Braziliense 

    sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

    Orla do Lago Paranoá é entregue à população - (Galeria de Fotos)

    A orla do Lago Paranoá está desobstruída para o uso da população. A inauguração no Lago Sul ocorreu na manhã desta sexta-feira (12), no Parque Asa Delta, com a presença do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg. Foto: Tony Winston/Agência Brasília

    Desobstrução das margens do reservatório se iniciou em 2015 e atende a uma decisão judicial. A inauguração ocorreu nesta sexta-feira (12), no Lago Sul

    orla do Lago Paranoá está desobstruída para o uso da população. A inauguração no Lago Sul ocorreu na manhã desta sexta-feira (12), no Parque Asa Delta.

    O ato de hoje representou a conclusão de um trabalho de mais de dois anos com a desobstrução do espaço. Com isso, o governo deu fim a uma privatização irregular vivida historicamente no Distrito Federal.

    As operações, que começaram em agosto de 2015, foram finalizadas em 25 de outubro de 2017 no Lago Norte e em 20 de dezembro no Lago Sul.
    “Este é um momento histórico para Brasília, é o lugar mais bonito da cidade que está sendo democratizado, sendo devolvido para a população”, comemorou o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.
    Ainda segundo o governador, o trapiche que ligará Parque Asa Delta, Parque Península Sul e Pontão do Lago Sul fica pronto até março.
    “Este é um momento histórico para Brasília, é o lugar mais bonito da cidade que está sendo democratizado, sendo devolvido para a população” - (Rodrigo Rollemberg, governador de Brasília)

    No mês seguinte, em 21 de abril, sai o resultado do concurso público de projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos que indiquem usos, atividades e a configuração do espaço da orla do Lago Paranoá.
    “A área do Parque da Asa Delta e do da Península, que foi a primeira a ser desobstruída, já está recebendo infraestrutura como ciclovia, gramado e iluminação. O restante da orla vai ser conservado como está até que saia o resultado do concurso para que o espaço seja usado por todos”, disse Rollemberg.
    Foi desobstruído 1,7 milhão de metros quadrados (m²) na orla — mais de 5% de toda a quantidade de invasões retiradas pela Agência de Fiscalização do DF (Agefis) nesta gestão (30 milhões de m²): cerca de 1 milhão no Lago Sul e 671 mil no Lago Norte.
    “Toda a ação foi de bastante perseverança. A sensação hoje é que fazer o certo é muito mais fácil do que a gente pensava”  - (Bruna Pinheiro, diretora-presidente da Agefis)

    De acordo com o órgão, a entrega da orla desobstruída ocorre dentro do prazo estipulado em acordo judicial.
    A Agefis fez 125 operações para desobstruir a orla do lago. No total, 454 lotes foram recuados.
    Os custos das operações são cobrados dos moradores que não recuaram cercas e muros irregulares por conta própria Até agora, a Agência de Fiscalização do DF cobrou mais de R$ 180 mil.
    “Toda a ação foi de bastante perseverança. A sensação hoje é que fazer o certo é muito mais fácil do que a gente pensava”, disse a diretora-presidente da Agefis, Bruna Pinheiro.
    Cerca de dez órgãos do governo do DF participaram da operação Orla Livre.

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    Agência Brasília

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