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  • terça-feira, 21 de novembro de 2017

    A AGONIA DO CERRADO » Produzir sem destruir

    Flor típica do Cerrado

    Ambientalistas e ruralistas buscam técnicas para combater a baixa produtividade por área do bioma. Pesquisas mostram que cerca de 150 milhões de hectares, já desmatados, estão subaproveitados

    *Por Flávia Maia

    O cerrado tornou-se o celeiro da produção agropecuária. No bioma, o Brasil vem colecionando safras recordes de grãos. Este ano, agricultores vão colher 114 milhões de toneladas de soja, por exemplo. No entanto, é possível ir além. E o melhor: sem derrubar uma só árvore nativa. Pesquisas mostram que cerca de 150 milhões de hectares, já desmatados, estão subaproveitados.

    Combater a baixa produtividade por hectare tornou-se a perseguição de ambientalistas e ruralistas. Os ambientalistas lutam para reduzir o desmatamento e as emissões de carbono. Os ruralistas esperam aumentar a produção das culturas e da criação de animais na mesma propriedade.

    Mineiro radicado em Goiás, pequeno produtor aprendeu que o desmatamento estraga o solo

    Dados da organização não-governamental WWF-Brasil indicam que as pastagens ocupam 79% da área desmatada de cerrado e é justamente nessa atividade que os índices de produtividade são os mais baixos. As culturas irrigadas ocupam 0,1% do cerrado; as plantações de grãos e de algodão sem irrigação, 14%, e a cana-de açúcar, 4%. Dessa forma, o desafio está em melhorar o uso da terra, principalmente, onde tem criação de animais como o boi. Conforme o Correio mostrou ontem, o gado foi uma das primeiras atividades econômicas que se desenvolveu no bioma. Mas a produção rústica permanece em várias regiões.

    Estudos do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento (Lapig) da Universidade Federal de Goiás (UFG) mostram que o cerrado é o bioma com a maior área convertida em pastagem no Brasil: são 58,93 milhões de hectares destinados a essa produção; um terço poderia ser melhor manejada. As áreas degradadas são aquelas em que a pastagem vai perdendo o vigor vegetativo e a capacidade de alimentar o gado. Com isso, a estimativa é de que 20 milhões de hectares de pastagem possam ser usados para colocar soja.

    Atualmente, são 1,11 animais por hectare, índice considerado muito baixo por especialistas. Esse número poderia chegar a 2,56, segundo alguns estudos. “Isso significa ser possível dobrar a produção na mesma área existente. Ou então, se mantivermos o mesmo tamanho de rebanho, podemos liberar metade da área de pastagem para outros usos, como a plantação de outras culturas, como soja, e replantio de áreas degradadas”, explica Laerte Guimarães Ferreira, coordenador do Lapig. “A forma como se faz pasto no Brasil ainda degrada muito. O produtor de gado não se considera um produtor. É preciso mudar esse pensamento”, analisa José Felipe Ribeiro, pesquisador da Embrapa Cerrados.

    Dessa forma, o esforço atual das entidades de classe e das associações de defesa do cerrado estão em conscientizar o produtor rural de que o esgotamento do bioma é prejudicial para a própria produção agrícola. “O agricultor pensa em cuidar da terra porque necessita dela. O pecuarista ainda tem muito de exaurir o solo. Precisamos mudar esse conceito e mostrar que é possível produzir mais e conservar o cerrado. Porque a gente precisa da agricultura e do bioma”, defende Júlio César Sampaio, coordenador do programa Cerrado-Pantanal da WWF-Brasil.

    Tecnologia a favor
    A agropecuária é responsável por 20% das emissões de carbono brasileiras. Quando o Brasil assumiu o compromisso de reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera, o Banco Mundial, por meio do projeto Forest Investment Plan (FIP), doou 10 milhões de dólares para o Brasil investir em disseminar práticas de agricultura de baixa emissão de carbono e sensibilizar os produtores rurais para que invistam em sua propriedade visando obter retorno econômico e preservando o meio ambiente. Assim nasceu o ABC Cerrado, o projeto começou em 2014 e se estenderá até 2019. Entre os vários atores envolvidos no programa estão a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e a Embrapa.

    O programa está centrado em quatro frentes: recuperar pastagens degradadas, integrar lavoura-pecuária-floresta, fazer florestas plantadas e desenvolver o sistema de plantio direto – que consiste em não deixar o solo descoberto, sem algum tipo de plantação ou capim, evitando, assim, erosões. A ideia é trabalhar na capacitação do produtor e com assistência técnica. De acordo com a CNA, desde o início do projeto, 313 turmas de capacitação já foram concluídas e há 16 turmas em andamento. Quase 4 mil produtores rurais já foram capacitados no Distrito Federal e em sete estados brasileiros: Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Maranhão, Bahia, Mato Grosso do Sul e Piauí.

    A opção foi focar no médio produtor rural, com propriedades de até 70 módulos fiscais. “O grande produtor tem meios próprios para conseguir o acesso à informação. O pequeno é alvo de outras ações de políticas públicas. O médio ainda é o mais desassistido”, justifica Mateus Moraes Tavares, coordenador técnico do projeto ABC Cerrado.

    Na assistência técnica são 1,6 mil produtores atendidos e 76,5 mil hectares foram recuperados. Segundo cálculos da CNA, a cada R$ 1 que o projeto coloca, o produtor coloca R$ 10. “É uma contrapartida forte do produtor, mas a gente precisa convencer o produtor rural dos benefícios. Tem que mostrar pelos resultados: investimento baixo, aumento de renda. Se o produtor rural não observar os benefícios, ele não vai fazer”, completa Mateus.

    De acordo com Mateus, a preocupação com o projeto está principalmente na região que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (Matopiba). “A gente tem que trabalhar em áreas convertidas, sem precisar abrir novas áreas”, explica Mateus.

    "Quem quisé tocá seu gado
    Chama um vaqueiro daqui,
    Que saino desse lado
    Nunca que chega daí;
    O gado que sai contado
    Dana logo pra sumi”
    (Conto João Boi, Bernardo Élis)

    1,1
    Quantidade de cabeça de gado por hectare no cerrado

    As lições de Argemiro
    Argemiro Ribeiro Dias está sempre arrumado. O chapéu de feltro, a camisa social e o sapato de bico fino acompanham a cordialidade para receber as visitas. Em 79 anos de vida, ele aprendeu que o respeito é fundamental em qualquer relação. Com o cerrado, não poderia ser diferente.

    Ele mora em Monte Alto, um distrito de Padre Bernardo (GO). Há 20 anos, tem um sítio que conseguiu via reforma agrária. Argemiro fez do cerrado o jardim de sua propriedade. Nos 18 hectares de terra que a família possui, ele optou por preservar 14. Nos outros quatro, concentra a sua casa e as dos filhos e a plantação de frutas e verduras orgânicas.

    “Sou de Montes Claros (MG), mas fui criado em Unaí (MG). Lá tinha de tudo, tinha muito pequizeiro. Comecei a perceber que o desmatamento estraga o solo, afasta a umidade da terra e abaixa as águas, por isso, deixamos a mata de pé”, explica Argemiro.


    (*) Flávia Maia – Fotos – Arthur Menescal – Google  – Correio Braziliense -  Ilustração: Blog - Google

    Rodrigo Rollemberg Feliz 2018! - Saia justa para Cristovam

    Feliz 2018!
    Depois de assistir à mobilização de adversários, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) resolveu também começar a montar o seu grupo político. Na sala reservada do Francisco, da 402 Sul, ele se reuniu ontem com aliados potenciais para as próximas eleições: os presidentes do Solidariedade, deputado Augusto Carvalho, do PV, Eduardo Brandão, e do PSB, Tiago Coelho, além da ex-governadora Maria de Lourdes Abadia, do PSDB, secretária de Projetos Estratégicos do GDF. “Esses partidos estão no governo e têm princípios e propósitos comuns. A partir da construção desse núcleo, vamos buscar ampliar essa composição”, disse o governador à coluna. Rollemberg quer atrair também o Pros. Com a união desses partidos, ele terá mais tempo de televisão do que em 2014.

    Saia justa para Cristovam
    Com a denúncia de que fez sexo com uma adolescente, o petista Wilmar Lacerda deixou o senador Cristovam Buarque (PPS/DF) (foto) numa saia justa. Ao se licenciar do mandato, como está previsto, deixando em seu lugar alguém com essa mácula, Cristovam começa a peregrinação para “mudar o país” e se candidatar à Presidência da República dando explicações. Se desistir do projeto, estará condenando o seu suplente. Cristovam também poderá ser questionado por abrir a vaga a um petista que recebeu dinheiro do mensalão para financiar as despesas do partido, quando esteve na Presidência. Situação complicada.

    Ana Maria Campos – Fotos: Carlos Vieira/CB/D.A.Press – Helio Montferre/CB/D.A.Press - Correio Braziliense 

    segunda-feira, 20 de novembro de 2017

    #História: O lago que nunca saiu do papel

    Foto de 1986 registra visita de técnicos da Caesb ao possível local de inundação para a construção do Lago São Bartolomeu
    Mapa da Caesb de 1970 mostra projeto de construir um lago quase três vezes maior do que o Paranoá
    Devido à ocupação urbana, a qualidade da água do Rio São Bartolomeu caiu ao longo dos anos

    *Por Pedro Grigori

    O reservatório com 110 quilômetros de espelho água era previsto desde 1970, mas o projeto acabou arquivado devido, principalmente, à ocupação urbana irregular. O lago seria formado pela água do Rio São Bartolomeu e afluentes

    Com mais de 110 quilômetros quadrados de espelho d’água, um segundo lago artificial era previsto para o Distrito Federal desde a inauguração da nova capital. A ideia era formá-lo com água vinda do Rio São Bartolomeu e dos afluentes Ribeirão Mestre d'Armas e Rio Pipiripau. Ele iria de Planaltina até São Sebastião, passando pelo Paranoá, mas foi inviabilizado, principalmente, pelas ocupações urbanas irregulares e pelo parcelamento de terra na região que seria alagada. Previsões da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) dos anos 1980 estimavam a capacidade de produzir até 25 mil litros de água por segundo, número que, somado ao que era captado à época pelo Descoberto e pelo sistema Santa Maria/Torto, tornaria possível abastecer um DF com mais de 11 milhões de habitantes, que nunca passariam por uma crise hídrica. 

    O Lago São Bartolomeu só foi completamente descartado nos anos 2000, quando a Agência Nacional das Águas (ANA) autorizou a utilização das águas do Lago Paranoá em uma obra definitiva, que deve custar R$ 465 milhões e atender 600 mil pessoas. Até lá, a possibilidade sempre foi motivo de debate. Em 1986, a Secretaria dos Serviços Públicos do Governo do Distrito Federal mostrou interesse em aplicar cerca de 150 milhões de dólares, algo em torno de 2 bilhões de Cruzeiros, para criar o lago. As manchetes do Correio à época se assemelham com as de 2017, destacando que os reservatórios da capital federal estavam em nível crítico. Segundo a secretaria, à época, a única solução para o futuro hídrico do DF seria a criação do segundo lago.

    A barragem a ser construída teria 25 metros de altura e, além de conseguir abastecer cerca de 7 milhões de pessoas, a água do lago seria utilizada também para geração de energia, irrigação na área rural e melhoria do microclima da região. Até 1980, pelo menos 34 propriedades ficavam na área a ser alagada e, 10 anos depois, já eram cerca de 90 condomínios irregulares. Entre 1970 e 1993, novos mapas foram criados, principalmente para diminuir o perímetro da área de proteção do lago. 

    A região a ser alagada ficava em um local de grandes fazendas, que eram propriedades de militares importantes da ditadura militar. Em 1981, por exemplo, a redução do perímetro a ser desapropriado beneficiou o general Danilo Venturini, chefe de gabinete do então presidente, João Figueiredo, que teve a propriedade retirada da área a ser desobstruída.

    Em 1983, foi criada a Área de Proteção Ambiental (APA) do São Bartolomeu, mas só cinco anos depois, foi concluído o zoneamento ambiental. Porém, nem isso conseguiu impedir a ocupação desenfreada, que ocorreu, principalmente, na agrovila de São Sebastião, no Vale do Amanhecer, em Planaltina, e no Quintas da Alvorada e Jardim Botânico, no Lago Sul. 

    Planejado 
    Um Distrito Federal muito diferente do atual era proposto nas décadas passadas. O plano era que a população crescesse em um eixo na parte sudeste do DF, indo de Ceilândia a Santa Maria, seguindo por cima das adutoras da Caesb que captavam água do Descoberto. “A região oeste seria ocupada pela população, enquanto a leste ficaria para plantações e a criação do reservatório de São Bartolomeu. Mas as ocupações que começaram nos anos 1970 ganharam força em 1986 e 1990, com o início das eleições do DF, impermeabilizando ainda mais a APA do São Bartolomeu”, conta Oscar Netto, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília.

    Se o segundo lago tivesse sido construído, o DF teria uma região administrativa chamada de Interlagos, situada entre os lagos Paranoá e o São Bartolomeu. A ideia era que o local, que abrigaria 11 condomínios, fosse o mais nobre da capital, devido às condições climáticas privilegiadas e ao contato com a natureza a poucos quilômetros do Plano Piloto. 

    O plano de construir o Lago São Bartolomeu foi muitas vezes substituído pela captação do Paranoá, mas, segundo o ecossociólogo Eugênio Giovenardi, no fim dos anos 1990, o governo e a Caesb começavam a perceber que os córregos que abastecem o Lago Paranoá já não estavam mais tão volumosos, sem contar os problemas que seriam causados pela ocupação urbana que ocorreu na orla. “Nesse momento, o São Bartolomeu não era uma opção tão viável, pois já haviam sido formadas verdadeiras cidades na região. A partir daí, o governo começou a apostar na possibilidade do Corumbá IV, que é atualmente a principal saída para combater a crise hídrica”.

    Salvação da crise
    Especialistas divergem sobre a possibilidade de o São Bartolomeu ter impedido a crise hídrica pela qual o DF passa hoje. Eugênio Giovenardi acredita que a situação atual seria mais branda, mas, com maior oferta de água, o consumo também teria sido intensificado. “Acredito que, ao redor do novo lago, cresceria um grande mercado de agricultura irrigada para utilizar a água, que no fim das contas seria usada, principalmente, para a produção de soja”, opina. Já o professor Glauco Stéfano, do curso de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário Iesb não tem dúvidas de que, se o novo reservatório tivesse sido construído, o DF não estaria passando por essa crise. “As cidades ao leste seriam abastecidas sem problemas, sobrando até água para o sudeste e nordeste do DF, que teriam os reservatórios desafogados”, explica.

    O professor alerta ainda que o que faltou não foi apenas ação governamental para tirar o São Bartolomeu do papel, mas também conscientização da população em relação às invasões. “Hoje, vivemos os reflexos do que a grilagem de terra e a ocupação ilegal causam. Os malefícios não atingem apenas quem mora nessas regiões, mas toda a sociedade”, afirma. Para evitar que a situação continue ocorrendo, Glauco aconselha investir em conscientização. “É um problema que atinge todas as classes sociais, pois temos invasões tanto no Lago Sul quanto no Pôr do Sol. Fizemos algumas pesquisas com os moradores dessas regiões e eles nem consideram um problema ocupar essas áreas”.

    O professor Oscar Netto acredita que optar pela futura captação definitiva do Lago Paranoá foi uma melhor escolha. “A água do São Bartolomeu receberia esgoto tratado de Sobradinho e Planaltina, e a água mais pura seria a vinda do próprio Paranoá. Usar esse recurso, além de trazer mais custos no tratamento, também traria gastos para bombeá-la do norte do DF para as regiões do centro”.

    A visão atual da Caesb também é de que a melhor decisão foi tomada. “Foi uma alternativa estudada por mais de 30 anos, mas, conforme o tempo foi passando, se tornava cada vez mais inviável, pois a área alagada teve uma ocupação que cresceu, o que traria, além das obras de criação, um encarecimento para pagar a desapropriação dos terrenos”, afirma Stefan Muhlhofer, superintendente de Projetos da Caesb.


    (*) Pedro Grigori – Fotos: Arquivo - Caesb – F.Gualberto/CB/D.A.Press – Minervino Junior/CB/D.A.Press – Correio Braziliense

    domingo, 19 de novembro de 2017

    A força de uma mulher

    A força de uma mulher

    *Por Ana Dubeux

    O câncer é uma batalha da ciência, que desafia pesquisadores e médicos, que cresce nas estatísticas, que assombra pessoas diagnosticadas. Mas, antes de tudo, é uma guerra pessoal. Passa pela negação, pela aceitação, pela superação. Quem vive esse processo passa por uma transformação que envolve dor e, não raro, sensação de desamparo, otimismo, pessimismo e posterior crescimento. O tratamento é uma caminhada que cada um atravessa como pode. Frequentemente, envolve descobertas personalíssimas. Assim como eu, você já deve ter acompanhado ou conhecido pessoas que descobrem uma força que não sabiam que tinham, um desejo de espiritualidade às vezes recolhido ou uma fraqueza que as fazem mais humildes perante a nossa curta existência por aqui. Na dor compartilhada, acabamos nós próprios sendo privilegiados com lições de vida de que não esquecemos.

    Assim me senti ao conversar com a primeira-dama Márcia Rollemberg, que enfrenta com bravura um câncer de endométrio. Ela foi extremamente generosa ao compartilhar seu momento não apenas comigo e com Ana Maria Campos, colunista e editora de política local do Correio, mas também com nossos leitores e com a população de Brasília. Não seria Márcia uma coadjuvante em nenhuma situação, como não é na posição de primeira-dama.

    Ela faz acontecer no governo. Faz parte de sua história pessoal analisar, mobilizar, negociar, gerenciar e agir. E nos passou a impressão de atuar de forma semelhante diante da doença. Márcia não pareceu forte; ela é. Sempre foi e permanece assim. Dessa forma, sem esconder a dureza de sua luta, contou os momentos mais difíceis do tratamento e os detalhes que poderia ter escondido para não demonstrar qualquer aparente fragilidade. Na sua sinceridade, mostrou quão humana é, sem preocupação com o cargo ou a posição do marido, o governador Rodrigo Rollemberg. Falou da família, do momento em que contou sobre o diagnóstico para a família, dos efeitos da quimioterapia, do paladar que faltou e do cabelo que rareou. Tudo isso faz parte e não precisava ser dito. Mas ela disse e nos ajudou a compreender uma batalha que atinge a tantos.

    Vivemos num mundo em que empatia é pré-requisito para vivermos melhor. Só conseguimos nos colocar no lugar do outro quando este outro generosamente decide tornar pública sua dor. Com histórias como as da Márcia, que me orgulho de ter contado, nos tornamos mais humanos e relativizamos nossas próprias dores. Mas precisamos admitir que é preciso, antes de tudo, coragem. Numa posição pública, é necessário mais do que isso. Colocar-se num ambiente de exposição em um momento difícil da vida, pelo  qual ninguém está livre de passar, não é fácil. Na verdade, é para os fortes; é para Márcia. Grata a ela por compartilhar.


    (*)Ana Dubeux – Editora Chefe do Correio Braziliense – Foto: Agência Brasília - Ilustração: Blog - Google

    Um símbolo brasileiro

    Um símbolo brasileiro

    *Por Jane Godoy

    Hoje é o dia do mais importante símbolo máximo de brasilidade. Esse que, mesmo fora do país, nos identifica e nos emociona: a bandeira do Brasil. Ela representa a nação brasileira diante dos outros povos nos mais distantes rincões do globo.

    A bandeira foi apresentada em 19 de novembro de 1889, por meio do Decreto nº 4, quando a República havia sido proclamada, há apenas quatro dias. A história nos conta que esse modelo atual substituiu a antiga bandeira imperial do país. Décio Vilares, com inspiração na bandeira do império, projetou a nossa bandeira, em que colocou o retângulo verde, o losango amarelo no centro e a esfera azul celeste dentro do losango, onde uma faixa branca traz os dizeres “Ordem e Progresso”, baseados nos estudos do filósofo francês fundador do positivismo, Auguste Comte. Na esfera, 27 estrelas representam os 26 estados e o Distrito Federal.

    Muita geometria, muita teoria, muito estudo das cores que encontramos em nossa linda bandeira. Mas muito mesmo, de maneira a sufocar até os nossos corações, deveria ser o respeito por ela, em qualquer situação, seja festiva ou adversa.

    Professora de Educação Moral e Cívica (EMC) e de Organização Política e Social Brasileira (OSPB) que fui, durante gloriosos 5 anos de minha vida, vejo, com tristeza e nostalgia que hoje, retiradas do currículo escolar, (não sei quem teve essa infeliz e desastrosa ideia), as sábias noções de patriotismo e nacionalismo se perderam no tempo e no coração das crianças e dos jovens. Isso faz com que nossos símbolos nacionais se tornem verdadeiras fantasias para enfeitar a Copa do Mundo, as Olimpíadas, as miniblusas, camisetas e bandanas, os alegres lenços nas cabeças da rapaziada marombeira ou não ou os corpinhos sarados das meninas.

    Não! Nossa bandeira brasileira não existe para isso. Justamente no seu dia, volto meu pensamento para ela e para seu verdadeiro significado.

    É preciso, com urgência, devolver aos pais que já perderam a oportunidade de aprender na escola o valor do patriotismo e a importância de reverenciar e respeitar os símbolos nacionais.

    Tanto em casa quanto nas escolas, todos devemos fazer um trabalho emergencial para que essa geração que começa a ir para a escola tenha tempo de ver resgatado o amor à pátria que seus pais, por culpa exclusivamente do Estado, não tiveram acesso ao que nossa geração teve e que eu tive o privilégio de transmitir como docente.

    A escola deve ensinar às crianças noções de amor à pátria e à família. E ensiná-las a respeitar os idosos e seu próximo, como a elas mesmas. E trabalhar mentes para um mundo melhor e mais decente. E formar cidadãos honrados e éticos e trabalhadores.

    Com tristeza assistimos à degradação e ao desprezo à educação das crianças e jovens e, pior, a total discrepância entre a verdadeira e correta finalidade da escola: ensinar. Preparar para um futuro profissional brilhante.

    Enquanto isso, devemos nós, enquanto família, fazer esse trabalho de forma doméstica e convincente, para o bem de nossos filhos e netos.

    Se o Estado não se importa com isso, permitindo interferências maléficas e assustadoras ao ensino que, há séculos, se restringe ao saber por excelência, façamos nós a nossa parte.

    Montemos guarda sobre a psique de nossas crianças e as vejamos crescer dignas, respeitadoras, éticas, patriotas e que, como meu neto, menininho de dois anos e meio, empunhe com orgulho a sua pequena bandeira nacional e, mãozinha no peito (foto), peça que cantemos o Hino Nacional Brasileiro. Não existe emoção maior do que presenciar uma cena dessas.

    Bandeira brasileira, no seu dia, todo o nosso respeito e reverência!


    (*) Jane Godoy – Coluna 360 Graus – Fotos: Viola Junior/CB/D.A.Press – 360 Graus – Correio Braziliense

    Brasília Cidadã é reconhecido em edição inédita do WED

    A colaboradora do governo de Brasília Márcia Rollemberg, idealizadora do programa Brasília Cidadã, recebeu o prêmio Ação Social. Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

    Pela primeira vez no País, Women’s Entrepreneurship Day homenageou dez mulheres protagonistas. Além da colaboradora do governo Márcia Rollemberg, idealizadora do programa do Executivo local, a professora da rede pública do DF Gina Vieira recebeu a honraria pelo projeto Mulheres Inspiradoras

    Dez mulheres consideradas empoderadas e empreendedoras foram homenageadas no Women’s Entrepreneurship Day (WED), que ocorreu pela primeira vez no Brasil nesta sexta-feira (17).

    A colaboradora do governo de Brasília, Márcia Rollemberg, recebeu o prêmio na categoria Ação Social por ter idealizado o programa Brasília Cidadã, iniciativa que fomenta a integração de políticas públicas, ações voluntárias, mecanismos de participação e controle social.
    “Uma Brasília mais cidadã porque tem pessoas que gostam da cidade e que trabalham por uma cidade de criação coletiva, participam, são solidárias, esse é o espírito”, resumiu Márcia.
    A colaboradora do governo destacou o carro-chefe do Brasília Cidadã, o Portal do Voluntariado, que “tem mais de 200 projetos ‘linkando’ quem precisa de ajuda com quem quer ajudar”. Márcia falou também sobre o Mulheres Inspiradoras, projeto da professora Gina Vieira Ponte, uma das dez homenageadas.
    “Ambos falam dessa Brasília cidadã, do empoderamento das mulheres, dos direitos das crianças, dos adolescentes. Essa rede vai ter uma grande repercussão, porque a gente tem uma cidade com várias empreendedoras sociais.”
    O governador Rodrigo Rollemberg prestigiou o evento e a homenagem à esposa, no Centro Universitário Iesb, na Asa Sul.
    “As mulheres estão ocupando um espaço cada vez maior no empreendedorismo em Brasília e no Brasil. A gente fica feliz com esse reconhecimento”. Ele lembrou que a homenagem ocorre na Semana Global do Empreendedorismo.
    Reconhecida na categoria Incentivo e Conscientização de Jovens, com o projeto Mulheres Inspiradoras, a professora Gina Vieira Ponte fez um agradecimento à mãe, sua maior inspiração. “A coisa mais bonita que ela fez por mim foi garantir meu direito à educação, em uma época em que as mulheres negras eram tiradas de sala de aula para trabalhar como empregada doméstica. Não tem empoderamento feminino sem falar em educação.”
    O Mulheres Inspiradoras leva para alunos da rede pública reflexões sobre igualdade de gênero, representação da mulher na mídia e violência contra a mulher, entre outros temas. 
    As homenageadas por categoria foram:
    • Ação Social: colaboradora do governo de Brasília Márcia Rollemberg, idealizadora do programa Brasília Cidadã
    • Alcance Nacional: Carla Amorim, idealizadora e produtora de joias e artefatos
    • Atuação Pioneira no Brasil: senadora Eunice Michilles, primeira senadora mulher no Brasil
    • Destaque Jurídico: Ana Frazão, advogada e professora de direito civil e comercial da Universidade de Brasília (UnB) e ex-conselheira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
    • Incentivo e Conscientização de Jovens: Gina Vieira Ponte, professora da rede pública do DF atuante na área de conscientização sobre equidade
    • Incentivo e Investimento Educacional: Eda Machado, fundadora e reitora do Centro Universitário Iesb
    • Incentivo e Produção de Artesanato: Kátia Ferreira, fundadora da marca Apoena
    • Inovação de Mercado: Camila Farani, presidente do Gávea Angels e cofundadora do Mulheres Investidoras Anjo (MIA)
    • Jornalismo e Distribuição de Informação: Mara Regia, idealizadora do projeto Viva Maria e jornalista da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)
    • Tecnologia de Informação e Comunicação: Priscila Gama, fundadora e idealizadora do aplicativo Malalai
    Criado em 2014 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e parceiros, o dia mundial do empreendedorismo feminino, oficialmente celebrado em 19 de novembro, incentiva as mulheres a assumirem protagonismo no mercado de trabalho empreendedor.
    O evento mundial WED foi criado por Wendy Diamond, empreendedora social e humanitária. A edição brasileira é organizada pela embaixadora do projeto na América Latina, Cristina Castro Lucas.
    Galeria de Fotos: - (   https://goo.gl/DjGFaa   )










    Agência Brasília

    sábado, 18 de novembro de 2017

    À QUEIMA-ROUPA: Rômulo Neves Diplomata, ex-BBB e ex-chefe de gabinete do governador, Rodrigo Rollemberg

    Rômulo Neves Diplomata, ex-BBB e ex-chefe de gabinete do governador, Rodrigo Rollemberg 

    Por que você desistiu de participar das eleições?
    Porque não estava feliz como pré-candidato. O cotidiano da disputa das eleições gera um peso e um sacrifício muito grandes não apenas para o candidato, mas também para a família e para os amigos. É uma vida muito solitária, pois nem família, amigos ou apoiadores conseguem seguir o mesmo ritmo da pessoa que disputa efetivamente. Isso afasta o candidato de todos e de sua vida normal. É um paradoxo lutar pela felicidade coletiva, por meio da política, não sendo feliz na política. A troca que se faz pode ser assim descrita: abre-se mão de um tempo de amor e companheirismo de família e amigos para viver disputas, hostilidades, ineficiência e falsidades no mundo político. Não vale a pena e a tendência é trazer esses problemas para a vida pessoal. Fica quase impossível ser feliz. Parece que o nível de vaidade do camarada tem de ser muito grande para fazer essa troca - abrir mão do tempo de vida normal pelo status de um cargo, a esse preço. Não é o meu caso.

    O momento do país é ruim para a política?
    É ruim, porque a classe política assumiu descaradamente que suas principais prioridades são seus mandatos e seus privilégios - além da imunidade gerada pelos mandatos, mas, e até mesmo por isso, também é bom, porque quando agem assim, escancaradamente, parte da população pode enxergar exatamente o que são e o que representam. Fica claro que não representam a busca pelo bem coletivo.

    Muita gente apostou que você sairia do BBB como um candidato forte até ao GDF. Isso não ocorreu?
    Ocorreu. Minha candidatura era realmente competitiva para a Câmara Federal. Meu nome apareceu bem cotado em pesquisa sobre novos políticos. Minha penetração, especialmente nas redes sociais, indicava uma boa votação. Apareci bem (uma vez em oitavo e duas vezes em segundo lugar) nas três enquetes que ocorreram para deputado federal. Então, a candidatura estava consolidada. Para o GDF já é outra história. Primeiro porque o nível de gastos é assombroso. Segundo porque levantaria muita resistência da classe política tradicional, que não admitiria um novato bem cotado. Terceiro que, para realmente resolver os problemas do DF, seria necessário fazer alterações estruturais que enfrentam muitas resistências. Como eu não conseguiria deixar de tratar desses temas durante uma eventual campanha, os grupos de interesse iriam me atacar bastante. 

    Na mensagem do Facebook, você fala na família. Programa um bebê?
    Bebês não, mas adoção. Meus planos de adotar são antigos. Isso é um tema de longas conversas em família e acho que chegou a hora de seguirmos adiante.

    Você é um dos defensores do rompimento da Rede com o governo Rollemberg. Por quê?
    Porque o governo não cumpriu nem 10% do que prometemos durante as eleições, do que estava escrito em nosso plano de governo. Vi que o plano de governo foi apenas uma peça de marketing. Não há muita preocupação programática. E não fez nada do que prometemos por falta de coragem. Como disse, para alterar o quadro de penúria do DF, é preciso tomar medidas estruturais. Para tomar medidas estruturais, precisa ter liderança, clareza, legitimidade e credibilidade. Tudo que o governo deixou de produzir quando escolheu fazer o jogo antigo, quando imaginou que pudesse ludibriar as forças políticas, dizendo uma coisa e fazendo outra. A palavra é o único bem durável na vida pública. Quando não se tem palavra, não se tem nada. As negociações escancaradas com cargos e administrações regionais, por exemplo, chegam a dar vergonha. E nem mesmo para fazer essa política antiga foi exitoso, porque não tem critérios claros. Além disso, o Governo tem problemas graves de gestão, do ponto de vista administrativo. 

    Quem a Rede deveria apoiar na disputa ao GDF?
    Defendo uma candidatura própria ao GDF. Uma candidatura que consiga conversar com a população, ou, ao menos, a parte interessada dela, sobre saídas inovadoras para as crises que os políticos dos últimos anos nos enfiaram: econômica, hídrica, de valores, do espaço urbano. Precisa ter coragem para dizer o que precisa ser dito, independentemente de ser competitivo frente aos velhos e novos caciques. Tem muita gente falando de nova política se filiando aos partidos tradicionais, como o PMDB, por exemplo. É mais ou menos como falar de tecnologia e investir em máquinas a vapor. De todo modo, infelizmente, grana ainda define muitos dos caminhos da política.


    Ana Maria Campos – Coluna “Eixo Capital” – Correio Braziliense – Foto: Rodrigo Nunes/C.B.Press 

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