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  • sexta-feira, 10 de junho de 2016

    Desnudando o cerrado - - - ( ... projeto para alertar sobre a devastação ...)

    Na capital do poder, o uso de máscaras para ajudar a respirar o ar tomado pela poluição e destruição do cerrado
    Ao chegar ao parque, em meio à natureza quase intocada, a modelo, finalmente, pode retirar a máscara e respirar ar puro

    Duas amigas, uma fotógrafa e outra professora, lançam, nas redes sociais, um projeto para alertar sobre a devastação por que passa o cerrado. De Brasília à Chapada dos Veadeiros, o caminho é percorrido com um tom de denúncia
                                   Em meio ao milharal, protesto contra os agrotóxicos
                             No caminho para a Chapada dos Veadeiros, pela GO-118
                                              Pelo caminho, agressão ao meio ambiente

    Uma mulher nua, usando apenas um par de bota e uma máscara, é fotografada na estrada GO-118, ao longo do trecho que liga Brasília ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Em um primeiro momento, a cena causa surpresa. Mas, por trás dela, há um alerta. O intuito é mostrar a degradação ambiental que o percurso tem sofrido nos últimos anos, como o uso de agrotóxicos nas plantações e a derrubada de árvores. Ao entrar na área protegida, a modelo tira a máscara do rosto. Agora, ela pode respirar, em um espaço que permanece preservado.

    O projeto O caminho do cerrado, da fotógrafa Melissa Maurer, convida à reflexão sobre a devastação do bioma local. O lançamento do conteúdo ocorreu nas redes sociais no último domingo, durante a celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, e já ultrapassa 20 mil visualização. As fotos serão liberadas, aos poucos, nos próximos dias.

    Seis sessões, mais de 6 mil cliques, 52 imagens para postagens e 250 ainda a serem trabalhadas. Esses são os números que o trabalho de Melissa e a modelo M.M.G. resultou. As duas são amigas há mais de duas décadas e compartilham a paixão pelo meio ambiente. Moradora de Alto Paraíso há 12 anos, a fotógrafa trabalha com nudez há algum tempo e, segundo ela, o conceito usado é para sensibilizar. “O cerrado está, literalmente, sumindo. Além de tentar ajudar para que isso não prossiga, quero que as pessoas reflitam com o que está acontecendo com ele. Quero que as fotos causem impacto, mas que também mexam com as pessoas.”

    Outro ponto do projeto é mostrar como a exposição do corpo da mulher vem sendo apresentada como algo banal e erótico. A apresentação do trabalho quebra o tabu da nudez e resgata a sabedoria, o empoderamento feminino, a liberdade de as mulheres serem o que são, da forma que quiserem, sem se sentirem ameaçadas ou inferiores. “Eu tive dificuldade no início, mas, depois, encarei a intenção da proposta e consegui posar para as fotos sem problemas. Dentro do nu, a gente mostra como o corpo está desprotegido com a degradação e exibe a fragilidade dele”, sintetiza M.M.G. A modelo, que exerce a profissão de professora, também já trabalhou com educação ambiental. Apesar de ser moradora de Brasília, tem casa em Alto Paraíso e abraçou a causa por perceber que a devastação toma conta da estrada com o passar dos anos.

    Simbologia
    Cada elemento das imagens tem um significado. A mulher representa a mãe natureza, que tem o poder e a capacidade de gerar a vida, nutrir os filhos e sustentá-los com o poder do leite. Ela representa a delicadeza, a fragilidade, a beleza, assim como a transformação, a renovação da vida, a proteção que toda mãe tem pelos filhos, a força que as mulheres têm para seguir, mesmo diante das adversidades.

    O nu descreve a exposição que a sociedade sofre ao estar em convívio com todas as degradações. O contato da pele nua, sem nenhuma proteção, com a deterioração encontrada demonstra a fragilidade da humanidade diante do desmatamento e do uso de agrotóxicos. A pele em contato direto com a destruição durante toda a trajetória remete à pouca durabilidade do corpo diante dos excessos cometidos arbitrariamente.

    A estrada se refere ao O caminho do cerrado, a trajetória de desaparecimento desse bioma. Remete ao caminho real que o cerrado segue. A máscara representa a proteção necessária para seguir em meio a toda a degradação. É a única maneira de respirar, sem se contaminar, no cenário de agressões e destruições que se apresentam no caminho. A bota traz a proteção necessária para a longa caminhada — 230km de devastação. As tarjas pretas descrevem a contaminação do leite, que antes gerava o sustento sagrado e que não poderá ser utilizado para alimentar as gerações futuras.

    O projeto teve todo o custo arcado pela fotógrafa e pela modelo. Elas pretendem conseguir apoio e patrocínio para dar continuidade à proposta e fazer mais fotos, em outras áreas do cerrado que também se encontram degradados. A maioria dos comentários nas redes sociais são positivos e de apoio. “No geral, o trabalho tem sido bem-aceito. Espero que possamos expandir e que as pessoas entendam que algo tem que ser feito. Agora, estamos focadas em apresentar o projeto. Tem gente que não gosta, mas respeita. Porém, a arte tem isso mesmo, incomoda”, analisa Melissa.

    Nas redes
    Facebook:  O caminho do cerrado -Blog: https://ocaminhodocerrado.blogspot.com.br/

    Para saber mais - Bioma ameaçado
    O cerrado detém 5% da biodiversidade do planeta, sendo considerado a savana mais rica do mundo. Porém, está entre os biomas mais ameaçados do país — considerando a área original de 204 milhões de hectares, já perdeu 47,84% de sua cobertura de vegetação até 2008. É o que aponta o Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite (projeto de cooperação técnica entre o Ministério do Meio Ambiente — MMA, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — Ibama e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — Pnud), executado pelo Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama. A área desmatada até 2002 era de 890.636km², e, entre 2002 e 2008, esse valor foi acrescido de 85.074km², o que equivale ao valor médio anual de 14.179km².

    No cerrado, o desmatamento ocorre de modo intenso em função de suas características propícias à agricultura, à pecuária e pela demanda por carvão vegetal para a indústria siderúrgica, predominantemente nos polos de Minas Gerais e, mais recentemente, do Mato Grosso do Sul. Do total de cerca de 9,5 milhões de toneladas de carvão vegetal produzido no Brasil em 2005, 49,6% foram oriundos da vegetação nativa. Além disso, 54 milhões de hectares são ocupados por pastagens cultivadas e 21,56 milhões de hectares por culturas agrícolas.


    Fonte: Ministério do Meio Ambiente – Correio Braziliense – Fotos: Melissa Maurer/Divulgação

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