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  • segunda-feira, 29 de agosto de 2016

    Pandora: Justiça nega pedido de Arruda para desbloquear seus bens

    Em 2014, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) atendeu ao pedido do Ministério Público (MPDFT) e determinou o bloqueio de bens de 17 pessoas e de três empresas que figuram como réus no processo que apura denúncias de desvio de dinheiro público para ser distribuído a parlamentares da base aliada do GDF entre os anos de 2006 e 2009

    Investigado na Operação Caixa de Pandora, o ex-governador José Roberto Arruda segue com os bens e direitos bloqueados. A decisão tomada em primeiro grau, foi mantida pelos desembargadores da 3ª turma cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e também atinge os demais réus no processo. O valor total do bloqueio atinge o limite de R$ 51.164.544,80.
    Na decisão, a desembargadora Ana Catarino, relatora do pedido, cita a defesa do ex-governador, que alega não haver indícios de sua participação no esquema de desvio de verbas. “Destaque-se que aquele foi apontado como ninguém menos do que o chefe da organização acusada de ocasionar prejuízos milionários aos cofres públicos”, contra-argumentou na decisão. “Os fatos narrados na ação de improbidade administrativa são bastante graves e merecem criteriosa investigação”, completou.
    A decretação de indisponibilidade dos bens dos réus na ação de improbidade administrativa está prevista no artigo 7º da Lei 8.429/92. Ele estabelece que, “quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito, caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público, para a indisponibilidade dos bens do indiciado”.

    A defesa de Arruda afirmou aoMetrópoles que vai recorrer da decisão, aprovada no dia 27 de julho e publicada no dia 14/8 no Diário da Justiça. O voto da relatora foi seguido por unanimidade pelos desembargadores Flavio Rostirola e Gilberto Pereira de Oliveira.
    Bens bloqueados
    Em 2014, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) atendeu ao pedido do Ministério Público (MPDFT) e determinou o bloqueio de bens de 17 pessoas e de três empresas que figuram como réus no processo que apura denúncias de desvio de dinheiro público para ser distribuído a parlamentares da base aliada do governo do Distrito Federal entre os anos de 2006 e 2009. O escândalo, conhecido como “mensalão do (partido) DEM”, foi revelado em 2009, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Caixa de Pandora.
    À época, o valor total dos bens bloqueados por decisão do juiz Álvaro Luis Ciarlini, da 2ª Vara da Fazenda Pública, ultrapassava R$ 196,7 milhões. Entre os réus afetados pela decisão estavam o ex-senador e ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e o empresário e ex-vice-governador Paulo Octávio. O principal delator do esquema, o ex-delegado Durval Barbosa, e o ex-conselheiro do Tribunal de Contas do DF (TCDF) Domingos Lamoglia também tiveram os bens bloqueados.
    O Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP, ajuizou as ações de improbidade administrativa para tentar impedir que os réus se desfaçam ou ocultem seu patrimônio, dificultando o eventual ressarcimento dos prejuízos aos cofres públicos. Os promotores reuniram todos os indícios já apurados de que, por meio de contratos fraudulentos e reconhecimento de dívidas do governo com empresas participantes do esquema, o grupo enriqueceu de forma ilícita e causou prejuízo aos cofres públicos. Parte do dinheiro desviado era repassado pelas empresas a integrantes do grupo, que o redistribuía a outros envolvidos.
    Ações cautelares
    Arruda, Paulo Octávio e Barbosa constam como réus em quatro das seis ações cautelares ajuizadas pelo MP. Na primeira delas, em que também figuram Lamoglia, o ex-chefe da Casa Civil do DF José Geraldo Maciel, o ex-chefe de gabinete Fábio Simão, o jornalista e ex-assessor de imprensa do do governo do DF (GDF) Omézio Ribeiro Pontes, o empresário Renato Araújo Malcotti, o tesoureiro da campanha de Arruda, José Eustáquio de Oliveira, e o ex-secretário de Obras Márcio Edvandro Rocha Machado, o juiz determina a indisponibilidade dos bens e direitos dos réus até o limite conjunto de R$ 19 milhões.
    Na segunda ação, o limite do bloqueio de R$ 51 milhões afetou Arruda e também o diretor da empresa Paulo Octávio Investimentos, Marcelo Carvalho de Oliveira, o ex-presidente da Agência de Tecnologia da Informação do GDF Luiz Paulo Costa Sampaio, o empresário Francisco Tony Brixi de Souza e a empresa Vertax. Na terceira ação, também figuram como réus o empresário José Celso Valadares Gontijo e a empresa Call Tecnologias e Serviços. O limite dos bens que ficaram indisponíveis atinge R$ 73 milhões.
    “Na quarta ação, em que o limite bloqueado é R$ 49,6 milhões, figuram ainda entre os réus a  diretora comercial da Uni Repro, Nerci  Soares Bussamra, e a empresa Uni Repro Serviços Tecnológicos. As outras duas ações têm, respectivamente, o  ex-deputado distrital Berinaldo Pontes, que teve R$ 2,5 milhões do patrimônio pessoal bloqueados, e o ex-deputado distrital Pedro Marcos Dias, o Pedro do Ovo, impedido judicialmente de movimentar R$ 1,2 milhão.”

    Filmado recebendo dinheiro das mãos de Durval Barbosa, o ex-governador José Roberto Arruda sempre negou envolvimento com o esquema denunciado. Ainda assim, foi preso em caráter preventivo e renunciou ao governo do Distrito Federal antes de ter seu mandato cassado pelo Tribunal Regional do DF.

    Metrópoles

    Brasília recebe Pré-Mundial de Voo Livre

    Foto acima Ilustrativa
    Corina, número 2 do ranking mundial, sobrevoa as imediações da capital - Iniciativa reúne mais de 130 pilotos da modalidade asa delta de 23países

    Mais de 130 pilotos da modalidade asa delta de 23 países estão reunidos na cidade para disputarem o título do Campeonato Pré-Mundial de Voo Livre, que teve início neste fim de semana. O evento, considerado um teste para o Mundial, que ocorrerá em Brasília em agosto de 2017, se divide em duas partes.

    Na primeira etapa, até quarta-feira (31), os competidores decolam da rampa do Vale do Paranã, em Formosa (GO), a mil metros de altitude e a 92 quilômetros da capital do País, e pousam pelas imediações. Na segunda fase, de quinta (1) a sábado (3), eles partem do mesmo lugar, mas descem na Esplanada dos Ministérios, no período da tarde. O público poderá acompanhar a chegada das asas, um espetáculo a parte.

    Conhecida mundialmente como a "Havaí do Voo Livre", a capital combina uma série de fatores que propiciam aos pilotos as condições ideais para voos de até 170 quilômetros de distância e cinco horas de duração, utilizando somente as forças da natureza, como as correntes térmicas, os ventos predominantes do quadrante leste e o clima bastante seco desta época do ano.

    A principal representante feminina da competição, a alemã Corina Schwiegershausen, conquistou o segundo lugar no ranking mundial e batalha pelo título. Admiradora da arquitetura da capital, ela também elogia as condições de voo da região e a natureza local. No próximo ano, em agosto, ela voltará para o Mundial.

    “Acho que em nenhum outro lugar do mundo, nós podemos descer na capital do país, no centro do poder, de asa delta. Isso é possível aqui já que a área é bastante plana. Incrível isso! Aqui também, quando estou no ar, eu tenho uma interação fantástica com as aves. Me espelho muito nos caminhos que as aves fazem para encontrar as térmicas que conduzem sua asa para o alto, assim como algumas me seguem também com o mesmo objetivo”, diz.

    O Brasil estará bem representado na competição por Álvaro Sandolli. O piloto brasileiro coleciona seis títulos nacionais. "Estou no melhor momento da carreira (é o terceiro do mundo) e sei que posso lutar pelo título tanto do Pré-Mundial como do Mundial no ano que vem", assegurou. O desafio será superar o número 1 do mundo, o australiano Jon Durand, que também participa do evento. 

    Como funciona
    A cada dia, dependendo das condições meteorológicas, os competidores são orientados a pousarem em um local determinado. O piloto que faz o percurso em menor tempo recebe, consequentemente, a maior pontuação. A soma das pontuações define os vencedores.

                           A Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer apoia a iniciativa

    Serviço:- Campeonato Pré-Mundial de Voo Livre - Data: Até 3 de setembro - Local: Decolagem da Rampa do Vale do Paranã, em Formosa (GO) - Pouso: região de Formosa até 31.08 e Esplanada dos Ministérios (de 1 a 3.09) - Informações: Doro Jr (11) 9845 79723






    domingo, 28 de agosto de 2016

    O urbanista do infinito - (De repente, a cidade vira um ar, um sopro e flutua”.)


    Por Severino Francisco

    A proximidade com o infinito é um privilégio lírico e metafísico de Brasília. E devemos tal graça, em grande parte, a Lucio Costa, o criador do plano urbanístico da nova capital do país. Lucio desenhou os projetos da Rodoviária e da Torre de Televisão, mas a grande obra em Brasília foi planejar a composição do espaço como se fosse um artista plástico que concebesse uma instalação, dispondo a Praça dos Três Poderes, os edifícios públicos da Esplanada dos Ministérios, a Rodoviária, as superquadras residenciais, as manchas verdes, os vazios, a vegetação áspera e o céu em tensão dramática ou em harmonia musical: “Ao contrário das cidades que se conformam e se ajustam à paisagem, no cerrado deserto de encontro a um céu imenso, como em pleno mar, a cidade criava a paisagem”, escreveu o urbanista. Quer dizer, foi Lucio Costa quem nos colocou pertinho do céu.

    Nos tempos em que concebeu a capital modernista, o doutor Lucio nunca havia pisado no Planalto Central, mas dos 360 graus de horizonte aberto, com abóbada celeste, ele sempre soube. Por quê? A arquiteta e filha Maria Elisa Costa fornece uma pista preciosa. Lucio sempre viajou muito de navio, não apenas menino, mas homem feito, não achava graça em trafegar de avião.

    E, por incrível que pareça, os primeiros esboços de Brasília foram feitos a bordo de um navio argentino, chamado Jachal, da Flora Mercante de Estado, voltando de Nova York, onde tinha ido receber um prêmio da Parsons Scholl of Design, no fim de 1956. Ou seja, logo depois de se inscrever no concurso para o Plano Piloto.

    Esses 12 dias a bordo, sem telefone, sem interrupção, com total disponibilidade de tempo, permitiram que a concepção do Plano Piloto fosse amadurecida em curto prazo e diante dos mesmos 360 graus de horizonte, com o céu encostando no mar, como no Planalto, incríveis poentes, firmamento estrelado e lua cheia.

    Quando comprou um apartamento na 405 Norte, o que mais agradou a meu pai, um sertanejo pernambucano obcecado pela água, foi a vista de uma das janelas para o Lago Paranoá. De quase qualquer ponto do Plano Piloto é possível se deparar com o céu aberto, os horizontes amplos, as manchas verdes e a arquitetura branca da cidade espacial. Essa escala derramada faz bem aos olhos e convida ao devaneio.

    Ao limitar o gabarito dos prédios das superquadras a seis andares, Lucio permitiu uma visão panorâmica de qualquer ponto da cidade, impedindo que a especulação imobiliária apagasse o céu ou a paisagem. É como se o ponto de vista de Rubem Braga fosse transformado em escala arquitetônica. O traço de Lucio Costa é algo de extrema delicadeza que permitiu uma interação cotidiana do brasiliense com a esfera celeste.

    Se eu organizasse roteiros turísticos, incluiria certamente um passeio pela Entrequadra 202 Norte comercial, pois lá foram erguidos prédios que perturbam a relação com o céu concebida por Lucio Costa. Esse é o perigo que ameaça Brasília. São prédios que apagam o infinito. Ali, por contraste, a gente percebe a relevância do urbanista para a construção da beleza na cidade.

    O poeta Francisco Alvim captou com muita perspicácia e sensibilidade a sutileza da intervenção de Lucio Costa ao conceber Brasília: “Lucio Costa pousou Brasília sobre o cerrado com uma perfeição e harmonia impressionantes com o cosmos. Lucio é um gênio absoluto. De repente, a cidade vira um ar, um sopro e flutua”.



    (*) Severino Francisco – Colunista do Correio Braziliense - Foto/Ilustração: Blog - Google

    Você paga e eles se divertem! - (Temos, assim, por nossa falta de comprometimento, três recordes nacionais vergonhosos)

    Ou a população de Brasília se une para promover uma reforma verdadeira e profunda no funcionamento da Câmara Legislativa e em todo o quadro político-eleitoral da capital, ou continuará a assistir, de camarote, à sucessão contínua de escândalos de corrupção, com sérios prejuízos não só para a cidade como um todo, mas também para cada um dos moradores, principalmente para os pagadores de impostos que são obrigados para bancar essa farra sem fim.

    Fosse feita uma pesquisa de opinião pública com os brasilienses mais esclarecidos e que se interessam pela vida da cidade, possivelmente essa Câmara Legislativa seria banida para sempre do horizonte candango — o que essa coluna sempre defendeu. O afastamento inédito de toda a cúpula do Legislativo local joga os brasilienses de volta aos lastimáveis episódios deflagrados com a Operação Caixa de Pandora de 2009, em que o então governador, José Roberto Arruda, foi parar atrás das grades.

    Temos, assim, por nossa falta de comprometimento, três recordes nacionais vergonhosos:  o primeiro senador cassado, o primeiro governador preso e a primeira Mesa Diretora de um Legislativo afastada por decisão da Justiça. Tudo isso num curto espaço de tempo. Vigilância eterna é o preço que o eleitorado da capital tem que pagar para desfrutar dos benefícios da democracia. A história da implantação de uma câmara de representantes e de eleições gerais em plena capital federal mostra o poder de pressão dos lobbies sobre a feitura das leis, inclusive até sobre a Constituição.

    Contrariando pareceres de doutos juristas, a emancipação política da capital foi feita para atender nichos específicos de pessoas que anteviram nesse processo chances de ganhos econômicos extraordinários. Por diversas vezes, neste mesmo espaço, a população foi alertada para os riscos de se repetirem na capital os mesmos vícios políticos encontrados em outras partes do Brasil. O que os brasilienses começam a perceber agora é que o divórcio entre a classe política e a população é um fenômeno nacional, e Brasília não foge à regra.

    Não cabe ao jornalismo fazer as vezes de juiz, condenando ou absolvendo quem quer que seja. Mas estamos cientes de que cabe única e exclusivamente ao povo decidir sobre o que quer que o presente faça pelo futuro e  que modelo de democracia deseja para si e para os seus. Pelo que se tem visto até aqui, a sabedoria popular ainda não encontrou solução para o impasse flagrante.

    Como é possível que representantes eleitos pela sociedade continuem a trabalhar contra essa mesma sociedade, contrariando seus anseios, escarnecendo não só da Justiça, mas dos próprios eleitores? Quo usque tandem abutere, Camara patientia nostra?

    ***

    A frase que não foi pronunciada
    “Eu estou cheio de ver morcego pousando de segurança de banco de sangue!”
    (Certo eleitor candango)


    Por Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

    sábado, 27 de agosto de 2016

    O choro de Gim Argello - - - (O ex-senador reconheceu, construtora OAS,doou R$ 350 mil a uma igreja)

    Gim limpa o rosto: ex-senador diz que não pediu propinas a empreiteiros para evitar convocação na CPMI

    Ex-senador do Distrito Federal depõe ao juiz Sérgio Moro, se nega a responder a perguntas do MP e se emociona ao dizer que não é desonesto

    Curitiba — Em depoimento ao juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato na primeira instância na capital paranaense, o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) assumiu ter pedido doações eleitorais a executivos de empreiteiras investigadas pelos desvios na Petrobras, em 2014, mas disse que não tinha conhecimento do envolvimento deles com o esquema de corrupção.

    “Não sabia que eles eram envolvidos com a Petrobras”, respondeu Gim, que à época era vice-presidente da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) que investigava denúncias de irregularidades na estatal. “Eu pedi doação eleitoral dentro da lei”, afirmou o ex-senador, ao negar que tenha exigido propina para empreiteiros investigados na operação para que eles não fossem convocados pela comissão. No fim do depoimento, Gim emocionou-se perante o magistrado e chorou ao dizer que não era desonesto.

    Gim encontra-se preso preventivamente desde abril no Complexo Médico-Penal de Pinhais, no Paraná. A prisão foi autorizada após os procuradores da força-tarefa da Lava-Jato terem colhido provas de que ele recebeu R$ 5 milhões em propina da empreiteira UTC Engenharia, conforme delação premiada do dirigente da empresa, Ricardo Pessoa.

    Segundo Pessoa, o ex-senador teria orientado que o dinheiro fosse pago na forma de doações eleitorais aos diretórios nacionais de quatro partidos: DEM (R$ 1,7 milhão), PR (R$ 1 milhão), PMN (R$1,15 milhão) e PRTB (R$1,15 milhão). Em 2014, as siglas integravam uma coligação com o PTB, partido pelo qual o ex-senador tentava a reeleição. Em troca, Gim agiria para evitar a intimação de executivos para depor na CPMI da Petrobras.

    “Retaliação”
    Em junho, Julio Camargo, consultor da construtora Toyo Setal e delator da Lava-Jato, também disse que foi pressionado por Argello a fazer pagamentos para influenciar o andamento das investigações no Congresso.

    “Eles estão mentindo no que estão falando, e é um processo de retaliação”, disse Gim. Apesar de não terem sido convocados para depor na CPMI, os executivos acabaram indiciados no relatório final.

    O ex-senador reconheceu ainda que o presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, doou R$ 350 mil a uma igreja frequentada por ele (Gim) no Distrito Federal, mas negou que isso tivesse relação com sua atuação no Congresso. O executivo também não foi convocado para prestar depoimento perante os parlamentares.

    Questionado pelo juiz Sérgio Moro se não enxergou as reuniões como sendo impróprias, o ex-senador respondeu “vi, sim, senhor, agora”. Gim se recusou a responder às perguntas do Ministério Público.


    Correio Braziliense – Foto: Reprodução/Polícia Civil

    #JK - Um Memorial para todos

    Museu em homenagem a JK e à construção de Brasília ganha nova roupagem, com acessibilidade às pessoas com deficiência e tecnologias inovadoras, que permitem interação total com os visitantes
    O Memorial JK ganhou um projeto de modernização e acessibilidade. A ideia é aproximar ainda mais os visitantes  aos conteúdos do acervo. O principal foco da obra está em chamar a atenção dos jovens e das pessoas com deficiência auditiva, visual e motora para as atrações do museu. Entre as tecnologias instaladas, encontra-se uma holografia do presidente Juscelino Kubitschek, em tamanho real, apresentando o plano de metas de seu governo. Esta é a primeira vez que um museu brasileiro recebe esse tipo de recurso para retratar uma personalidade nacional.

    A obra também disponibiliza maquete tátil do prédio, assim como mapas em alto-relevo dos andares térreo e superior, indicando às pessoas cegas os ambientes e o percurso de visitação. Os itens à mostra também contam com textos descritivos em braile. Até os fones de ouvido, disponíveis em algumas telas de vídeos explicativos, são sem fio para facilitar o manuseio daqueles com dificuldade motora. A vitrine é equipada com uma tela de vídeo, que mostra todos os itens armazenados. Foi utilizada uma impressora 3D para replicar uma medalha, permitindo que os deficientes visuais possam tateá-la.

    O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), em conjunto com o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), acompanhou todo o processo de transformação do museu, que é tombado. O projeto foi desenvolvido pela Cité Arquitetura, com coordenação da Collecta, e teve um investimento de R$ 1,8 milhão, com patrocínio de Furnas, Eletrobras e Ibram, em parceria com o Ministério da Cultura. O projeto de acessibilidade foi realizado com a orientação das equipes da Comissão de Acessibilidade do Instituto Benjamin Constant (IBC) e do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines). Ao todo, desde a aprovação do projeto, a obra demorou cerca de quatro anos para ficar pronta.

    Detalhes
    A inauguração oficial do projeto de modernização será na próxima quinta-feira. O Memorial foi inaugurado em 1981, por Sarah Kubitshek, viúva de JK, e tem o objetivo de perpetuar a história da vida do presidente e a memória da construção de Brasília. A coordenadora geral do projeto, a museóloga Auta Rojas Barreto relata que, por ser um patrimônio histórico, foi preciso adaptar o local, preservando todas as características originais. “O nosso público-alvo são os jovens. Como utilizamos uma grande quantidade de tecnologia, decidimos incluir também pessoas com deficiência”, explica.

    Mesmo sem a inauguração oficial, visitantes de outros estados estiveram no Memorial. A estudante de medicina Rossela Falcão Dias, 23 anos, moradora de São Paulo, está em Brasília a estudo e foi conhecer o monumento. Ela ficou impressionada com as intervenções tecnológicas. “Achei bacanas as obras. É muito importante toda essa questão de acessibilidade. O museu está de parabéns.”

    Logo no hall do Memorial, um vídeo tridimensional reconstitui a construção de Brasília. Ao todo, são oito vídeos contando a história da capital nos mais diversos aspectos. Até mesmo a moda e o estilo que marcaram os anos de 1950, 1960 e 1970 viraram tema de uma das reproduções, ficando ao lado do acervo de vestimentas da família Kubitschek. Todo o aparato é equipado com legenda, tradução em libras e audiodescrição. No final do tour, um quiz para testar os conhecimentos sobre Juscelino fica disponível em um computador. Os monitores do local também foram treinados para receber os visitantes.

    A presidente do Memorial JK, Anna Christina Kubitschek Pereira, ressalta que nada do que existia no museu foi mexido, apenas acrescentaram-se as novas tecnologias. “Estávamos sentindo falta de um público adolescente no local. Agora, espero que os jovens possam se interessar ainda mais pela história de Brasília.” 
    A presidente ainda informa que há um projeto chamado Museu Escola, no qual o monumento recebe visitas de alunos de todos os colégios do DF e do Entorno. “Agora, os estudantes terão total interação tecnológica com os ambientes”,  anima-se.
    Visite
    Localizado no Eixo Monumental, lado oeste, Praça do Cruzeiro, o Memorial JK funciona de terça a domingo, das 9h às 18h. A entrada custa R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).


    Correio Braziliense – Fotos: Ed Alves/CB/D.A.Press – Blog-Google

    Quatro vezes Brasília - - (... uma pirâmide de quatro faces ...)

    Montagem do projeto original de Lucio Costa (PPB, 1957) com a topografia. Fonte: J. Monte Jucá e L. Hermuch 

    O enigma Brasília é uma pirâmide de quatro faces. A primeira e mais misteriosa se revela nas caminhadas rumo ao Congresso. Você anda, anda e nunca chega. O Sol inclemente brilha no mármore branco. Nenhuma árvore acode quem se arrisca pelo gramadão. As linhas de fuga convergem para as duas torres impassíveis, quase glaciais. Em conjunto com as cúpulas da Câmara e do Senado, formam um estranho monumento, monólito de uma civilização perdida. Essa é a escala monumental, que causa espanto até entre os nativos.

    A escala gregária serve para trabalhar, esbarrar em gente e comer pastel Viçosa. Percebe-se que tem mais de seis andares e guarda uma afinidade com dinheiro e tudo mais que circula com fluidez. Já vi a escala gregária na mão de flanelinhas e em maletas estilo 007. Nesses domínios, sempre é preciso procurar por uma vaga e portar um crachá. Lá estão as diversões, seja lá quais forem, e também os hospitais. O coração é assaltado por esse contraste (e pelo óleo da fritura), de modo que se acende na consciência um grande letreiro em neon e a gente teme pela brevidade da vida.

    Embaixo dos pilotis, temos a escala residencial, amiga dos prédios não reformados das 400, com seus azulejos originais, intocados pelo granito. Lucio Costa quis das superquadras um espírito de convivência sem igual neste mundo. Para tanto, contou com aliados impúberes. As quadras só são “super” por causa das crianças, que gostam de super-heróis e precisam gastar energia com bola, skate e bicicleta. Ainda é assim? De qualquer forma, sobrevivem as grandes janelas, voltadas para árvores que abrigam cigarras quando a chuva chove. Sobrevivem também as calçadas (nem todas), o comércio local e as bancas de revistas.

    Não estava no plano: Lucio teorizou depois a escala bucólica, comparando-a a D’Artagnan, o quarto dos três mosqueteiros. Um por todos e todos por um. Essa dimensão veio de mansinho porque a grama precisava de tempo para pegar. É sabido que o ilustre urbanista queria uma cidade-parque. A coisa chegaria à perfeição no dia em que os blocos parecessem encravados numa floresta. Visto do alto, seria um mar verde com pequenas ilhas de concreto e vocação para o devaneio (palavra que Lucio adorava). A vizinhança do Lago Paranoá arremataria o projeto.

    No ano que vem, Brasília completa 30 anos de inscrição na lista do Patrimônio Mundial da Unesco. O tombamento pelo Iphan já tem 26 anos. As escalas ainda servem para balizar o que deve ou não ser protegido. A ideia desta crônica veio da leitura do artigo “Brasília e o patrimônio mundial — 2017”, de Márcio Vianna, e do ótimo livro Superquadra de Brasília — preservando um lugar de viver. O PDF de ambos está disponível na web. Hoje, numa roda de conversa na Banca da Conceição, arquitetos do Iphan vão justamente abordar essas questões, que dizem respeito ao modo como habitamos a capital.


    Por:  Gustavo T. Falleiros– Correio Braziliense – Fotos/Ilustração: Urbanistas por Brasília -  Blog - Google

    sexta-feira, 26 de agosto de 2016

    A polêmica poda de árvores - - (Lourivaldo Marques se orgulha dos ficus italianos que plantou próximo à sua banca de revistas, na 108 Sul)

    Lourivaldo Marques se orgulha dos ficus italianos que plantou próximo à sua banca de revistas, na 108 Sul

    O serviço de poda realizado pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) está causando irritação em alguns moradores da capital. Muitos reclamam que o procedimento é exagerado e não tem retirado muito mais que os excessos da planta. A falta de sombra e a mudança na paisagem estão no foco de reclamação.

    No mês passado, a Novacap fez a poda de cerca de 20 árvores localizadas na Quadra 305 Sul. Apesar de ser um pedido antigo dos próprios moradores, o resultado não agradou.  “Deixaram apenas os troncos, danificou totalmente a paisagem. Os galhos chegavam à altura do 6° andar, mas agora não temos sombra nenhuma”, reclama o economista Ricardo Moraes, 51 anos. Ele mora na quadra desde 1970 e compara fotos do local na época com o cenário atual. Com a ausência da sombra, alguns moradores chegaram a colocar toldos nos apartamentos. Ricardo relata que até o calor aumentou. “Foi uma ação muito radical. Isso só pode ter sido feito para que não haja manutenção recorrente. Até as trepadeiras, que agora ficam expostas ao sol, morreram por causa disso”, diz.

    De acordo com a assessoria da Novacap, todo procedimento é feito de acordo com avaliação de um engenheiro florestal. Depois da análise, a poda é inserida na programação das equipes do Departamento de Parques e Jardins. O órgão ressalta que só eles têm autorização para realizar a poda ou o corte de árvores em área pública. Em 2015, a Novacap recebeu 9.417 pedidos de poda. Este ano, os registros chegavam a 4.150.

    A coordenadora da Escola de Paisagismo de Brasília, Simone Ribeiro, afirma que a falta de planejamento é o principal motivo das podas drásticas. “No momento em que é feito o plantio, é necessário avaliar o local para que não esteja próximo a prédios ou fiações”, exemplifica. A especialista também afirma que as raízes crescem conforme o porte das árvores e podem interferir em tubulações e ainda rachar muros e paredes. Simone ressalta que as árvores trazem conforto ambiental, proporcionam sombra, lazer e equilíbrio à fauna. A umidade relativa do ar também é afetada diretamente. “O mal das podas drásticas é porque tiramos toda a copa das árvores. Pássaros, morcegos e insetos sentem falta desse tipo de ambiente. Todo caso deve ser avaliado para se realizar o procedimento.”

    Quem precisar dos serviços da Novacap pode entrar em contato pelo número 162 ou se dirigir às administrações regionais. O cidadão que tiver interesse em plantar mudas em local público deve entrar em contato com a companhia, que enviará uma equipe ao local indicado para verificar a viabilidade. Caso não haja impedimentos, o plantio é autorizado ou a ação será incluída no calendário do departamento responsável.

    Pioneiras
    Ao lado de uma banca de revistas localizada na Quadra 108 Sul, há dois pés de ficus italianos que chamam a atenção de quem passa no local. As imensas árvores estão presentes no cenário de Brasília há mais de meio século. O dono da banca, o baiano Lourivaldo Marques, 79 anos, chegou à capital em 1960. Depois de três anos aqui, plantou as árvores. “Sempre tive uma paixão imensa pela natureza. Quando eu tinha 23 anos, peguei dois galhos de uma outra árvore da quadra e plantei ao lado da minha banca”, conta.

    Lourivaldo conhece cada pedacinho do espécime, anda por cima das gigantes raízes como se estivesse dentro de casa. Para demonstrar a confiança em suas velhas amigas, o revisteiro coloca precisamente os pés no cipós e sobe no tronco da árvore. O baiano conta que realizou o plantio dos dois titãs separadamente, mas eles se entrelaçaram. “Fui moldando as formas conforme os galhos cresciam e, no final, acabou formando um arco, por onde passo todos os dias.”
    Os dois ficus têm grande importância na vida de Lourivaldo. Segundo ele, um representa a freguesia fiel da banca e o outro, a falecida esposa. Emocionado, relata que diariamente, antes de abrir a loja, vai até o local, olha para o céu e, após um suave beijo na árvore, inicia seu dia. No próximo mês, as gigantes completarão 53 anos. O revisteiro afirma que é importante preservar os espaços em que existem vegetação em Brasília, pois proporcionam vários momentos de inspiração. “As minhas duas paixões são livros e natureza, tenho até uma poesia para isso: o verde é o melhor ambiente, ler é o melhor prazer e o livro é o melhor presente, feito para você ficar contente”, recita.




    Correio Braziliense – Fotos: Antonio Cunha/CB/D.A.Press - Jéssica Nascimento/UOL - Blog - Google

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