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  • sábado, 29 de abril de 2017

    Pedestres, ciclistas, cidadãos

    Há duas décadas, “dê o sinal de vida” virou o lema dos brasilienses no momento de atravessar a faixa de pedestres. Responsabilidade que começou a ser construída na campanha maciça de conscientização Paz no Trânsito, com apoio incondicional do Correio. E deu certo. Aprendemos, desde criança, a erguer o braço para pedir passagem aos veículos na rua.

    A mesma capital que respeita o pedestre, no entanto, precisa aprender a promover a convivência pacífica entre motoristas e ciclistas no trânsito. Edson e Edimar foram vítimas da falta de consciência. Os dois ciclistas morreram nesta semana. O primeiro foi atropelado por motorista que conduzia sob efeito de bebida alcoólica. O outro foi atingido pelo carro de um jovem que não parou para prestar socorro. Após dois anos em coma, não resistiu.

    Situações como essas escacaram a dor de várias famílias e mostram a importância de levar a mesma consciência do respeito à faixa de pedestres a todas as esferas do trânsito. Ações que protejam os mais vulneráveis — os que caminham pelas ruas, motociclistas e ciclistas. O início do Maio Amarelo, na próxima segunda-feira, é a oportunidade de fazer o exercício de se colocar no lugar do outro e começar a agir para proteger a todos. Dados divulgados pelo Departamento de Trânsito do DF (Detran), nesta semana, durante o lançamento da campanha, mostram avanços: foram 52 mortes a menos este ano em comparação com os quatro primeiros meses de 2016. Que os monumentos iluminados de amarelo sirvam de alerta para os motoristas e evitem que eles arrisquem a própria vida e a de outras pessoas ao dirigir embriagados, em alta velocidade ou sem respeitar a sinalização de trânsito.

    A entrevista de David Duarte, especialista em segurança no trânsito da Universidade de Brasília (UnB), ao Correio, mostrou outra face importante da discussão, a de nos percebermos — brasileiros e brasilienses — como responsáveis por nossas ações e por nossa ética. Não adianta, como ressaltou o acadêmico, criticar os políticos envolvidos nas investigações da Lava-Jato e, no instante seguinte, atravessar fora da faixa de pedestres, dirigir depois de beber uma cerveja com os amigos ou frear o carro apenas para evitar a multa do pardal. Vamos nos deixar ser tomados, em maio e em todos os meses do ano, pelo espírito do respeito e da paz no trânsito para que, conscientes desses deveres, as demandas pelos direitos que bradamos ao ir às ruas sejam legítimas.


    Por Mariana Niederauer - Correio Braziliense

    sexta-feira, 28 de abril de 2017

    Artesãos brasilienses ganham o mundo

    Zaqueu Vitor e a escultura de Cervantes: materiais reciclados Artesãos do Distrito Federal despontam no cenário global, e ganham notoriedade no respeitado mercado europeu, com a exportação de peças autorais com apelo sustentável e ecológico. Esse time brasiliense trabalha com um novo conceito do artesanato ao realizar trabalhos singulares, de maneira criativa e em respeito à natureza, como a criação de bonecas de pano, arranjos e painéis de flores secas, móveis assinados e esculturas.

    Por Paula Pires

    A consciência ambiental é palpável nas obras assinadas pelo designer brasiliense Marcelo Bilac, de 38 anos, que participou da Feira de Milão, na Itália, neste mês. A peça levada para a exposição mais importante do mundo do design foi o banco cavalete. “Neste trabalho, usei resíduo florestal e ferro de sucata, em que tudo se encaixa e as formas de um banco ganham vida”, explica.

    Todo o processo de produção do designer brasiliense é feito na chácara onde mora com a família, no Pôr do Sol, em Ceilândia. Dentre as matérias-primas mais utilizadas, estão galhos e troncos de árvores. “Gosto do viés do reaproveitamento. Nada aqui é jogado fora e as peças recriadas ganham um significado original”, reforça.

    O designer também recicla pedaços de madeira que sobram da fabricação de móveis planejados no processo de criação de sofisticadas peças, como a mesa Carla, em uma mescla de texturas e vidro em estilo contemporâneo. “Comecei a desenvolver este trabalho autoral em 2000. Da natureza, reaproveito os resíduos da floresta. Também faço pesquisas em sucatas e ferros-velhos para conseguir algum material original para criar minhas peças”, acrescenta Marcelo.
    O banco cavalete do designer brasiliense Marcelo Bilac, destaque em Milão

    Esculturas
    Outro artista que desenvolve projetos a partir do garimpo de ferros-velhos e sucatas é Zaqueu Vitor, de 52 anos. Porcas, parafusos, chapas de ferro, pastilhas de freio e rolamentos são a matéria-prima do artista plástico, que trabalha em um galpão no Guará para criar as esculturas. “Tudo que poderia degradar o meio ambiente é reutilizado em uma peça artística”, afirma.

    Zaqueu, que participou de uma Feira Internacional de Artesanato em Brasília, revela que as esculturas são feitas a partir do desenho e do formato das matérias-primas encontradas nas sucatas. “Das correntes de bicicletas, surgem lagartos articulados; de panelas velhas, são feitos relógios; de três ferraduras sobrepostas, nasce uma coruja.”

    As esculturas do artista se destacam pela originalidade. Um cavalo ultrapassando uma barreira e uma guitarra com mais de quatro metros de altura impressionam pelos pequenos detalhes. Tudo é feito com a proporção adequada ao tamanho. O personagem clássico da literatura mundial Dom Quixote também foi retratado por Zakeu. “Para fazer o busto do protagonista de Miguel de Cervantes, foram utilizados um tanque de moto, chapas de metal, parafusos e correntes.

    Zakeu faz questão de dizer que preza pelo equilíbrio e pela articulação das peças que faz. “Gosto de trabalhar com a ideia de que as esculturas possam se mexer. Isso é fantástico. Por isso, nada é estanque na minha arte”, diz.

    Flores do cerrado que encantam
    Roze Mendes recebeu prêmios internacionais

    A artesã brasiliense Roze Mendes, 55 anos, conquistou o mundo ao produzir flores feitas a partir de folhas secas do cerrado. Moradora de Samambaia, Roze desenvolveu uma técnica em que as pétalas não quebram ao dobrá-las. “Como toda a região do Planalto Central é muito seca, resolvi apostar no tingimento das folhas com produtos naturais, como o urucum, açafrão e a casca de cebola”, explica.

    A folha-moeda (Chamaecrista orbiculata) é a principal matéria-prima utilizada, mas também são usados outros tipos de folhas típicas da vegetação da região, como a pata de vaca, palha de milho e o cedro. “Tudo é feito de maneira que não agrida o meio ambiente. Não retiramos as folhas das lagartas e das formigas. O ecossistema tem de ser preservado”, garante.

    Em uma segunda etapa, a artesã explica que as folhas vão para um forno à lenha. “Depois de cozidas, elas são esqueletizadas e, assim, tingidas para se transformaram em lindos arranjos de flores que reúnem beleza e, ao mesmo tempo, sustentabilidade ambiental”, ressalta.

    Roze lembra que começou a trabalhar com flores quando o marido ficou desempregado, em 1994. “Já havia feito um curso em 1984 e aprendi direitinho o ofício. Foi meu marido quem desenvolveu as minhas primeiras ferramentas, como o boleador e o golfador. Só não tinha noção de mercado”, contou.

    A artesã criou a marca Flor do Cerrado e, como reconhecimento pelo seu trabalho, Roze já recebeu diversas homenagens e premiações. Por quatro edições seguidas, ela ganhou o Oscar do artesanato brasileiro — o Top 100, do Sebrae Nacional. Também conquistou o Prêmio Mulher Empreendedora 2006 (Sebrae/Na) e o Prêmio Casa Cor, em Brasília, em 2004. Ela ainda representou o Brasil no World Trade Marketing Participação (WTM), evento turístico realizado em novembro de 2012, em Londres, onde ela fez demonstração do artesanato de Brasília.

    Nos anos de 2006 e 2011, Roze fez viagens à África, onde prestou consultoria à Fundação Aga Kan. Ainda em 2011, participou do workshop Europália, em Bruxelas, na Bélgica. Todas as peças desenvolvidas pela Flor do Cerrado estão expostas em uma loja no shopping Liberty Mall, na Asa Norte. Uma parceria com a  Secretaria de Trabalho e Turismo.

    Artesanato de Maria Zi: um "trabalho devocional"
    Ela nasceu na cidade de Formiga e foi criada em Diamantina, em Minas Gerais. Mas é em Brasília, onde mora desde 1993, que começou a desenvolver o seu grande projeto de vida — a criação da casa Bendittas, atelier de bonecas de pano. “Eu me apeguei à cidade. Gosto daqui e das pessoas que me cercam. Brasília me recebeu muito bem e aqui pude desenvolver a minha arte, entre retalhos, cantigas e histórias”, afirma.

    O trabalho deu tão certo que a marca Bendittas Bonecas fechou uma parceria com a Embaixada do Brasil, em Berlim, na Alemanha, para expor e comercializar as bonecas no segundo semestre deste ano.

    A oficina de trabalho de Maria Zi, na Asa Norte, é como uma sala de costuras, com recortes de tecidos, cheio de lãs, botões, linhas e máquina de costura. Filha de costureira e alfaiate, ela não se considera uma grande mestra da costura.

    Formada em comunicação social, Maria Amaziles Rocha Lopes, ou simplesmente Maria Zi, é escritora e artesã. Começou a confeccionar bonecas de pano em “um trabalho devocional”. A cada uma, tento me aproximar o máximo possível da anatomia feminina sem estereótipos”.

    Segundo ela, a intenção é levar uma mensagem de amor para cada pessoa que adquire a boneca. “Criar arte em tecido é uma das maneiras mais divertidas que descobri para semear beleza à minha volta. Aprendi muitas técnicas com minha mãe, Dona Sinhá que, por sua vez, as aprendeu com minha vó Zizi, num encadeamento de cumplicidade e beleza que se perde nos registros da nossa história”, acrescenta.

    No portfólio da artista, destacam-se as bonecas Fridas, as Pretas Velhas, as Sábias e as criadas para o São Paulo Fashion Week, em um tributo a grandes personagens da história da moda. “Fiz a Chanel, vestida com um tailleur símbolo da década de 1940; a Viviane Westwood, com uma camiseta de um movimento ambiental; e a Mary Quant, de minissaia para este evento. Pesquisei cada particularidade destas personagens para produzir as roupas”, esclarece.


    (*) » Paula Pires - Especial para o Correio Braziliense – Fotos: Hugo Gonçalves-Esp/CB/D.A.Press - Divulgação.

    Lição de elegância


    *Por Severino Francisco

    Não convivi com Carlos Chagas, que morreu na terça-feira, aos 79 anos. Conheci o homem público, o analista político preciso, econômico, discreto, malicioso e irônico. Mas tenho os meus consultores, e eles me trouxeram várias histórias sobre o nosso personagem. Mineiro de Três Pontas, a cidade de Milton Nascimento, pertencia às gerações que, quando sentiam vocação para escrever, faziam o curso de direito. Era caminho natural para o jornalismo.

    Tinha uma fé no jornalismo capaz de superar montanhas de empecilhos. Isso faz toda a diferença, pois acreditava na importância da profissão para construir uma sociedade democrática e justa. É de um tempo em que os jornais impressos ocupavam uma posição central na vida cotidiana e, segundo Nelson Rodrigues, tinham tanto poder que admitiam ou demitiam ministros por telefone.

    Não era direitista nem esquerdista; era jornalista. E continuou jornalista mesmo quando assumiu o posto de porta-voz do presidente Arthur Costa e Silva, um dos generais que assumiu o poder com o regime de exceção instalado a partir de 1964. Não se empenhava em falsear as informações ou em transmitir uma versão chapa-branca. Ganhou o jornalismo, pois ele facilitava o trabalho dos colegas. Exerceu o delicado ofício com toda a dignidade.

    Segundo uma das versões correntes, Costa e Silva queria ter assinado uma nova Constituição, que devolvesse o país à normalidade democrática, mas teve um infarto fulminante que comprometeu o movimento das mãos. Costa e Silva morreu e assumiu uma junta militar.

    Por isso, quando Chagas passou a dar aulas da história da imprensa na Faculdade de Comunicação da UnB, reportava diretamente a muitos fatos que havia visto, vivido, investigado e analisado. As 20 reportagens que escreveu sobre o período renderam o Prêmio Esso de Jornalismo, se transformaram no livro 113 dias de angústia e foram censuradas pelo regime militar. As salas ficavam repletas, ele falava baixo, mas os alunos faziam silêncio na certeza de estar diante de um craque do jornalismo. Não se importava muito em corrigir os trabalhos dos estudantes, o mais importante era ser ouvido pelas novas gerações.

    Na década de 1980, os jornalistas entraram em greve e cada turma diferente ficava acampada em frente às sedes das empresas. Chagas era diretor da Rede Manchete em Brasília. A luz branca do planalto castigava os grevistas. No entanto, os que permaneceram em frente à emissora se deram bem. Todos os dias Chagas ordenava que servissem lanche para os grevistas, a maioria muito jovem. Não era qualquer bolachinha, amendoim japonês e sucos baratos. Eram sanduíches substanciosos, lanche da melhor qualidade, lanche da diretoria.

    Algumas vezes, o próprio Chagas saía, perguntava se estava tudo bem e pedia àqueles meninos e meninas que botassem um pouco de juízo na cabeça. É o máximo da elegância. Não a elegância dos ternos impecáveis, mas a do humanismo, da delicadeza e do respeito pela profissão.


    (*) Severino Francisco – Jornalista, colunista do Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog - Google

    Ações se acumulam contra deputada distrital Sandra Faraj

    O MP deflagrou ontem a Operação Hemera na Câmara Legislativa: Sandra e o irmão são acusados de cobrar um terço dos salários dos comissionados

     *Por Ana Viriato

    Operação do Ministério Público do DF e Territórios coloca a deputada distrital como suspeita de crimes como corrupção, falsidade ideológica e uso de documento falso. O irmão dela e comissionados do gabinete também são alvos da apuração

    Alvo de uma ação de dívida na Justiça e de um processo por quebra de decoro parlamentar na Câmara Legislativa, a distrital Sandra Faraj (SD) também está na mira do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Deflagrada ontem, a Operação Hemera —  em referência à deusa grega da mentira —  investiga uma série de denúncias contra a deputada, o irmão Fadi Faraj, suplente do senador Reguffe (sem partido-DF), e comissionados do gabinete. A apuração aponta indícios de crimes de corrupção, falsidade ideológica e uso de documento falso. As penas referentes aos delitos ultrapassam 20 anos de reclusão e incluem a perda do cargo público.

    No total, os promotores cumpriram oito mandados de busca e apreensão, além de quatro conduções coercitivas na Câmara Legislativa, na igreja Ministério da Fé e na casa da distrital. Sandra e Fadi são suspeitos de comandar um suposto esquema de cobrança de um terço dos salários dos servidores comissionados alocados em cargos da Câmara Legislativa, da Secretaria de Justiça e da Administração Regional de Taguatinga. Conforme o Correio apontou em março, a parlamentar mantém em seu gabinete do Legislativo pelo menos nove fiéis da Ministério da Fé, igreja ligada à família Faraj.

    Ademais, a parlamentar é acusada por Filipe Nogueira Coimbra, sócio da Agência de Comunicação e Tecnologia Netpub, de embolsar R$ 150 mil em verba indenizatória, montante que deveria ser repassado à empresa pela prestação de serviços de publicidade e informática ao longo de um ano (veja As confusões de Faraj). Segundo o empresário, além de desviar o montante, Faraj teria fraudado, com carimbo e assinaturas falsos, a nota fiscal que atesta os pagamentos relativos a fevereiro de 2016, último mês do contrato.

    O advogado da parlamentar alega que todos os pagamentos foram realizados em espécie, com o dinheiro que a distrital guardava em casa, conforme declarado à Receita Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A defesa usa, ainda, perícia da Secretaria de Fazenda sobre a nota fiscal em questão, emitida pela Netpub. O comprovante sequer poderia ser entregue a Sandra, porque não foi transmitido à pasta previamente para autorização. A distrital também nega ter falsificado carimbos ou assinaturas da empresa.

    A distrital e o irmão ainda são investigados por, supostamente, ameaçarem pessoas envolvidas nas investigações preliminares do Ministério Público em reunião secreta, convocada em um fim de semana e realizada em um colégio. Na oportunidade, os dois teriam divulgado vídeos e dito que “destruiriam as testemunhas”. Em nota, a assessoria de Comunicação da parlamentar informou que apura os fatos relacionados às diligências do MPDFT. Porém, refutou as acusações e argumentou que a parlamentar está  “contribuindo com esclarecimentos e informações”.

    Horas após a conclusão da operação na Câmara Legislativa, o corregedor da Casa, Juarezão (PSB), ouviu o depoimento de Filipe Nogueira Coimbra durante oitiva relacionada ao processo por quebra de decoro parlamentar que tramita, no Legislativo local, contra Faraj. Na reunião, o empresário reiterou as alegações que constam nos autos da representação.

    Ainda ontem, Juarezão encaminhou um telegrama de convocação para oitiva direcionado a Manoel Carneiro, ex-chefe de gabinete de Sandra e única testemunha do caso. O encontro está marcado para as 11h da próxima quarta-feira. O colhimento das versões deve munir o parecer elaborado pelo parlamentar, que tem de ser entregue até 11 de maio à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.

    Inconsistências 
    Além de prestar serviços por meio da empresa Netpub, Filipe Nogueira esteve lotado, por cerca de 13 meses, no gabinete da distrital com um salário de pouco mais de R$ 11 mil. A simples condição fere determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), cujo conteúdo veta “a nomeação de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta”.

    Para driblar possíveis ações de improbidade administrativa, Sandra defendeu que pouco sabia sobre o ex-comissionado, uma vez que “o conheceu durante a corrida eleitoral de 2014 e, apenas por gostar do trabalho, efetivou a nomeação”. Em nota, informou que o gabinete “não tinha como identificar o parentesco de Filipe Nogueira com quaisquer sócios da Netpub”. E conclui: “a minuta de contrato foi assinada por terceira pessoa, a sócia Michelly, que constava como solteira”.

    Em contrariedade à versão, Filipe Nogueira esteve próximo ao trabalho da parlamentar por anos. Em 31 de janeiro de 2013, o Diário Oficial do DF trouxe a nomeação do servidor na Administração Regional do Lago Norte, à época, comandada por Sandra. Quando exonerado, três meses após a distrital deixar a gerência da região administrativa e deixá-la nas mãos do amigo e pastor do Ministério da Fé Ricardo Lustosa, o dono da Netpub pediu exoneração. No lugar dele, entrou a mulher, Michelly Ribeiro de Souza Nogueira. Sandra afirmou que não tinha relação direta com o empresário à época e que o contratou por indicação de outro servidor.

    Exoneração
    Filipe também acumulou cargos ao longo de seis meses: um na Câmara dos Deputados e outro na Câmara Legislativa. O empresário trabalhou no Congresso Nacional entre setembro de 2014 e 2015. No Legislativo local, a prestação de serviços ocorreu entre janeiro de 2015 e fevereiro de 2016. Portais da transparência consultados pela reportagem atestam que, entre abril e setembro de 2015, houve o recebimento de vencimentos dos dois poderes por parte de Filipe Nogueira. Em defesa, Filipe informou que solicitou exoneração do Congresso antes de ingressar na Câmara Legislativa.

    Além disso, entre setembro e dezembro de 2014, o empresário era alocado no gabinete da liderança do Partido Verde na Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, a Netpub e a F.N.Coimbra prestavam serviços a um parlamentar da sigla. Filipe alega que, à época, não era sócio de quaisquer empresas. Situação similar à atual.

    R$ 150 mil É o valor da suposta dívida de Faraj com a Netpub

    (O gabinete de Sandra Faraj) Não tinha como identificar o parentesco de Filipe Nogueira com quaisquer sócios da Netpub”
    (Trecho de nota enviada pela assessoria de Comunicação da parlamentar)

    Ações contra Faraj - Na Câmara Legislativa
    Dez dias após o sócio da Agência de Comunicação e Tecnologia Netpub Filipe Nogueira Coimbra acusar Sandra Faraj de embolsar R$ 150 mil em verba indenizatória — valor que deveria ser repassado à empresa pela prestação de serviços ao longo de um ano —, a ONG Adote um Distrital, do Instituto de Fiscalização e Controle (IFC), protocolou, no Legislativo local, um processo por quebra de decoro parlamentar contra a distrital. A peça passou pelo crivo da Mesa Diretora, com três votos favoráveis à condução e dois contrários. Encontra-se nas mãos do Corregedor da Casa, Juarezão (PSB). O deputado tem até 11 de maio para encaminhar o parecer à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, colegiado com autonomia para instaurar investigações internas.

    Na Justiça
    Logo no início de fevereiro, a Netpub recorreu à Justiça para receber os valores supostamente pendentes — o processo tramita na 2ª Vara de Execução de Título Extrajudicial. Em 15 de março, a magistrada Luciana Corrêa Torres de Oliveira determinou que Sandra Faraj quitasse o débito em três dias, a partir da data de notificação. A distrital apresentou defesa e interpôs embargos à execução. Para analisar o pedido de efeito suspensivo, a juíza determinou, no dia 17 daquele mês, a penhora do carro do marido da parlamentar, uma Evoque Dynamic 5D. Desde então, o processo não registrou movimentação. Caso perca a ação, Faraj terá de pagar a Filipe Nogueira R$ 217.630,36, valor da dívida acrescido de juros.



    (*) Ana Viriato – Fotos: Daniel Alves/CB/D.A.Press – Marcelo Ferreira/CB/D.A.Press – Correio Braziliense 

    quinta-feira, 27 de abril de 2017

    Pra conhecer a Ceilândia

    Lucas Pinheiro: turistas se surpreendem - Projetos sociais recebem estudantes de São Paulo e do Rio interessados nos espaços e movimentos culturais da cidade mais populosa do DF

    *Por Pedro Grigori

    Grandes obras arquitetônicas como as de Oscar Niemeyer e Lucio Costa costumam ser os principais destinos dos turistas que visitam o Distrito Federal. Segundo o Perfil do turista, traçado pela Secretaria Adjunta de Turismo, a Catedral, Torre de TV e Praça dos Três Poderes representam 77% dos pontos mais atrativos para quem vem conhecer a capital. Localidades distantes do Plano Piloto sempre ficam de fora do tradicional guia de visitas. Tentando mudar essa estatística, dois projetos sociais se uniram para criar uma rota turística na região mais populosa do DF. O Vem Pra Cei mapeou mais de 40 locais de cultura, gastronomia, esporte e lazer dentro da Ceilândia. Desde o ano passado, a cidade vem recebendo alunos de escolas particulares de São Paulo e do Rio de Janeiro, e agora, começa a romper o preconceito e receber estudantes da área central de Brasília para mostrar um novo lado de uma cidade que respira cultura.

    Um dos organizadores do projeto é Sérgio de Castro, 38 anos, que desde os 18 anos trabalha junto ao grupo Atitude para incentivar a valorização da Ceilândia. Hoje, no cargo de diretor executivo, conta que trazer gente de fora para apreciar a região cria um sentimento de pertencimento à população da Ceilândia. “Os moradores daqui costumam ir ao Pistão Sul ou ao Plano Piloto para se divertir, e, ao ver que pessoas de outras regiões do quadrado e de outros estados estão vindo para cá, conhecer a cidade, faz com que eles valorizem a sua localidade e tenham orgulho de viver na Cei”, destaca.

    A ideia do projeto veio de fora, tendo como exemplo rotas turísticas em regiões paulistas, como Capão Redondo e Paraisópolis, e cariocas, como Santa Marta, Vidigal e Rocinha. As primeiras visitas ocorreram em julho do ano passado. De lá para cá, 400 alunos “estrangeiros” conheceram a cidade. Os grupos são formados, principalmente, por jovens de escolas particulares de São Paulo e do Rio de Janeiro, que vêm conhecer os pontos turísticos da capital, e, por indicação de uma agência de turismo parceira, são convidados a visitar também a Ceilândia.
    Sérgio de Castro: a Ceilândia valorizada

    Xô, preconceito
    Uma das visitas realizadas nos últimos meses veio do centro de São Paulo. A Chapel School, escola americana no Brasil, levou 45 alunos para conhecer a Ceilândia. A diferente realidade da vida dos alunos e da população virou tema de documentário feito pelos estudantes, que só levaram para casa lembranças boas e surpreendentes. Composta principalmente por filhos de embaixadores e empresários de multinacionais, a mensalidade da escola custa em média R$ 8 mil, quase três vezes a renda domiciliar real da Ceilândia, mensurada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) em R$ 3.076, na última Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios.

    “Os alunos passaram três dias no DF. Em relatos na sala de aula, afirmam que a melhor parte da visita foi ir à Ceilândia. Lá, eles puderam conhecer a história dos moradores e ver como é possível a realização de projetos que promovam mudanças de vida por meio de questões culturais”, conta Lilian Campos, coordenadora do currículo norte-americano da Chapel School. A professora ainda relatou a segurança que sentiu na comunidade. “O brasileiro tem um costume de pensar que por alguém carecer de algo, vai querer roubar a nossa bolsa ou o que estamos levando. Mas não é assim. Voltamos para casa sem enfrentar nenhum problema, ao contrário, só temos boas recordações. O brasiliense é muito sortudo por ter uma Ceilândia por perto para levar seus alunos”, garante.

    Coordenador do Movimento Underground de Brasília, Lucas Pinheiro, de 25 anos, conta que os moradores do DF têm mais resistência em conhecer a Ceilândia, do que os que vêm de fora. “Recebemos visitas de famílias com renda mensal de quase R$ 100 mil. Quando eles são de outros estados, não costumam ter um conhecimento prévio sobre a cidade, e saem daqui superfelizes com a visita, perguntando até como fazem para ajudar os projetos. Já os de Brasília, muitas vezes chegam receosos, devido a tudo que ouvem falar da Ceilândia em noticiários, mas ao fim da visita, saem com outra visão”, afirma.

    O Vem Pra Cei acaba de lançar um site e começa a dar os primeiros passos em direção a um novo objetivo: a criação de um mapa interativo com os pontos turísticos da região. “No site, além de contar a história da nossa cidade, mostraremos por geolocalização pontos de interesses para quem quiser conhecer a Ceilândia”, explica Sérgio. O mapa conta com pontos como o Rancho do Palhoça, a Praça da Bíblia, Museu da Memória Viva, Túnel do Tempo e o Restaurante Sabor dos Sertões.
    O grafite está entre os cursos oferecidos pelo projeto Atitude
    Oficinas explicam um pouco mais da vida cultural da cidade
    Alunos vindos de regiões nobres de São Paulo e do Rio visitam a Casa do Cantador

    CONHEÇA

    Casa Cultural 7 da Norte

    Fundado há seis meses, é um dos novos pontos culturais incluídos na rota. Durante as visitas dos grupos de escola, são ministradas aulas de grafite, DJ e dança. O espaço conta com um estúdio comunitário, utilizado por artistas da comunidade que buscam fazer gravações musicais profissionais por um preço menor do que o encontrado 
    no mercado.

    Restaurante Sabor dos Sertões

    O ponto de turismo gastronômico do Vem Pra Cei tem nove anos de existência e se firmou como um dos principais points da cidade. Entre os principais pratos do restaurante estão a rabada, sarapatel, cupim assado no forno e a picanha. Os pratos são servidos com arroz, farofa, feijão carioca, salada e macarrão. Preço médio: R$ 20
    #VemPraCei 
    Organização: Grupo Atitude e Movimento Underground de Brasília — http://vempracei.com.br/ - http://vempracei.com.br/ - Para agendar visitas a Ceilândia e ajudar o projeto, entre em contato com a direção do Grupo Atitude pelo (61) 98450-7925


    (*) » Pedro Grigori -*Estagiário sob supervisão de José Carlos Vieira – Fotos: Grupo Atitude-Divulgação – Correio Braziliense

    Os guardiões das florestas


    *Por Severino Francisco

    “Não vou pra Brasília/Nem eu nem minha família/Não vou, não vou/Eu não sou índio nem nada/Não tenho a orelha furada/Nem uso argola pendurada o nariz/Não uso tanga de pena/E a minha pele é morena/Do sol da praia/Onde nasci e me criei feliz”, cantava Billy Blanco no samba Não vou pra Brasília, nos tempos pioneiros da transferência da capital do país do Rio de Janeiro para o Planalto Central.

    O detalhe irônico é que o autor da espirituosa canção não nasceu e se criou feliz nas praias de Copacabana, como diz a letra. Ele é natural de Belém, no Pará, estado onde a presença indígena é marcante na formação étnica da população. Mas em Não vou pra Brasília, ele parece renegar completamente as suas origens paraenses e mirar o interior do país e sua gente com um olhar de superioridade quase europeu.

    Sim, desde o início, os índios estiveram em Brasília, mas não os caricaturais da canção de Billy Blanco. As estradas facilitaram o acesso deles à cidade. Brasília mudou radicalmente a relação geopolítica dos índios com o poder central. Antes de Brasília, a presença deles em uma capital era uma aparição tão fantástica quanto a chegada de extraterrestres. Na nova capital modernista, eles passaram a fazer parte do cotidiano da cidade, a se expressar com o próprio corpo e com a própria voz.

    Na terça-feira, mais de 2 mil índios travaram uma verdadeira batalha campal em frente ao Congresso. Levaram bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e spray de pimenta; e revidaram com flechadas nos policiais. Como sempre em todas as guerras, sobrou para a parte mais fraca: as crianças, as mulheres e os velhos. Mas, apesar do cerco da polícia, eles foram bravos, conseguiram furar o bloqueio e atiraram 200 caixões pretos de papelão no gramado e no espelho d’água do Congresso.

    O protesto dos índios têm um alvo certeiro: a proposta de emenda à Constituição que transfere do Executivo para o Legislativo o poder de decisão sobre a demarcação das terras indígenas. Ou seja: a vida de milhares de índios ficará nas mãos dos parlamentares corruptos que roubaram bilhões do erário, criam leis para autoanistiar os crimes e se vendem a quem pagar mais.

    É uma questão de vida e de morte não apenas para os índios, mas também para nós. Os índios são os guardiões das florestas. Os cientistas têm alertado que a expansão da pecuária e das monoculturas de grãos afetaram o equilíbrio ambiental do cerrado e todo o ciclo da água. No entanto, os economistas só veem números. Falta água em Brasília, o rio São Francisco está secando, regiões do Nordeste se reduzem a desertos.

    Aqueles caixões pretos simbolizam não apenas a morte dos índios, mas também o nosso suicídio. Os índios são os últimos guardiões das florestas; os índios somos nós, eles estão defendendo a nossa vida. Ouçamos a voz do poeta Reynaldo Jardim: “O que se odeia no índio/não é apenas o ocupado espaço./O que se odeia no índio/é o puro animal que nele habita,/é a sua cor em bronze arquitetada./A precisão com que a flecha voa/e abate a caça; o gesto largo/com que abraça o rio; o gosto de/afagar as penas e tecer o cocar;/O que se odeia no índio/é o andar sem ruído; a presteza/segura de cada movimento; a eugenia/nítida do corpo erguido/contra a luz do sol”.

    E, na sequência, Reynaldo arremata: “O que se odeia no índio é o sol./A árvore se odeia no índio./O rio se odeia no índio./O corpo a corpo com a vida/se odeia no índio./O que se odeia no índio/é a permanência da infância”

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    (*) Severino Francisco – Jornalista, colunista do Correio Braziliense – Foto.Instagram Hugo Meireles Heringer/Ilustração: Blog-Google

    Justiça rejeita, 17 anos depois, ação de Niemeyer contra coberturas

                     Justiça rejeita, 17 anos depois, ação de Niemeyer contra coberturas
    Imagine uma ordem judicial para que o Governo do DF demolisse todas as coberturas individuais e coletivas de Brasília? A discussão, levantada por arquitetos como o ícone da capital, Oscar Niemeyer, se perdeu no tempo e estava adormecida na Justiça. Em dezembro de 1999, ele e o ex-genro Carlos Magalhães ajuizaram uma ação popular responsabilizando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o GDF por permitirem a construção do chamado sétimo pavimento em prédios no Plano Piloto, o que configuraria um desvirtuamento da lei do tombamento de Brasília. A ação prosperou em primeira e segunda instâncias, mas, na última terça-feira, a 3ª Seção do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região reverteu a decisão. Prevaleceu o entendimento unânime de que a questão demorou muito para chegar ao fim e se criou uma situação consolidada no tempo. Como quase todas as situações irregulares no DF. Os desembargadores também consideraram que as coberturas não trazem impacto visual, nem ao meio ambiente, e não representariam um prejuízo ao projeto original da cidade.

    “Sórdido”
    Oscar Niemeyer chegou a dizer, na época, que uma lei aprovada na Câmara Legislativa permitindo a construção de coberturas em prédios residenciais era “sórdida”. A ação foi ajuizada contra o Iphan e contra o GDF, mas construtoras como a Paulo Octávio, Via Engenharia e RV, que ingressaram como interessadas no desfecho do processo, também apresentaram recursos, os chamados Embargos Infringentes, julgados procedentes na última terça-feira.


    Por Ana Maria Campos – Foto: Wanderlei Pozzebom/CB/D.A.Press – Correio Braziliense

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