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  • sábado, 17 de junho de 2017

    Violência nas escolas é igualmente culpa de todos

    *Por Circe Cunha

    Com mais um episódio de extrema violência ocorrida em uma escola pública do DF, fica a questão: quantas mortes mais serão necessárias para que a sociedade, em conjunto com as autoridades, comece a tomar providências urgentes, antes que esses fenômenos brutais acabem por transformar nossas escolas em zonas abertas de conflitos armados?

    Desta vez, a morte visitou o Centro de Ensino Fundamental Zilda Arns, no Itapoã, quando roubou a vida do estudante Gidenilton Lacerda, de 26 anos. Amanhã, poderá ser a vida de qualquer outro, de um professor ou outra pessoa que põe em risco a segurança pessoal ao se atrever a frequentar uma dessas pobres escolas públicas, perdidas e esquecidas em algum canto da periferia de Brasília.

    No Plano Piloto, o fenômeno da violência também é recorrente. Levantamento feito pela Secretaria de Segurança do DF mostrou que, em 2016, 20 escolas públicas concentraram 22% dos crimes ocorridos no ambiente escolar. Gama, Guará, Taguatinga, Samambaia, Plano Piloto, Planaltina e Ceilândia apresentaram os maiores índices de violência. Boa parte dessas ocorrências tem como autores pessoas que circundam as escolas, tanto de dia quanto de noite. Brigas ao término das aulas são marcadas com frequência. Facas e outras armas brancas aparecem cada vez mais nas confusões.

    Espaços comunitários, como bibliotecas, são depredados e incendiados. Professores são cada vez mais ameaçados diretamente, inclusive diretores desses estabelecimentos. Muitos docentes, diante da violência frequente, têm abandonado a carreira ou entrado para as estatísticas de profissionais afastados por problemas nervosos.

    O consumo de todo tipo de drogas também tem sido comuns. De alguma forma, nossas escolas estão reproduzindo os episódios de violência detectados a todo instante no país. É patente ainda que os programas postos em prática pelos responsáveis diretos pela educação pública não tem obtido os efeitos projetados, limitando-se a repetir erros e falhas do passado, sem que os problemas tenham, ao menos, diminuído.

    Enquanto a sociedade não entender que esses fenômenos são da responsabilidade de todos coletivamente e de cada um, individualmente, não haverá solução à vista. Lições e exemplos de sucesso na melhoria da qualidade do ensino público vêm de diversas parte do mundo. No Japão, os alunos e responsáveis cuidam das escolas como se fosse a própria casa, limpando, pintando, consertando, refazendo e decorando os recintos que, afinal, é onde os jovens passam a maior parte do tempo da vida.

    O sentimento de pertencer àquele lugar específico, àquela comunidade onde está a sua escola dá, a todos, um sentido de responsabilidade e carinho pelo lugar. Em tudo o que diz respeito à escola, a comunidade deve participar, se integrar, até de forma obrigatória, já que ali está investido parte de seus impostos.

    Quando as mazelas que atingem a sociedade adentram as escolas, é sinal de que a situação chegou a seu ponto de limite. Ou agimos agora com energia, dentro das normas da melhor pedagogia e didática, ou correremos o risco de transformar nossas escolas em reprodutórios de indivíduos violentos e sem limites. Nesse sentido, é importante destacar também o papel fundamental que as artes, tão deixadas de lado em nossas reformas do ensino, exercem na humanização e no reflorescimento dos jovens cidadãos.

    ******
    A frase que não foi pronunciada
    “Experimente explicar para um estrangeiro a briga dos petistas contra o vice-presidente escolhido pelos petistas. É meio sinistro.”
    (Cicerone adolescente)


    (*) Por Circe Cunha – Coluna “Visto, lido e ouvido” – Ari Cunha – Correio Braziliense – Foto/Ilustração: Blog – Google 

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